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Correio da Manhã

Política
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Sócrates falado na Face Oculta

Advogado de um dos arguidos da ‘Face Oculta’ acusa a Justiça de favorecer primeiro-ministro.
18 de Fevereiro de 2011 às 00:30
Armando Vara e o seu advogado, Rodrigo Bastos, com o “famoso cachecol vermelho”
Armando Vara e o seu advogado, Rodrigo Bastos, com o “famoso cachecol vermelho” FOTO: Vasco Neves

O procurador-geral da República e o presidente do Supremo Tribunal mandaram apagar as escutas a Armando Vara e José Sócrates, mas estas continuam presentes no processo ‘Face Oculta’, ainda que não possam ser utilizadas como prova. O advogado de Armando Vara foi um dos que lembraram a sua relevância, ontem no Tribunal de Monsanto. Tiago Rodrigo Bastos considerou ser este um processo político.

Não foi o único. Em sentido contrário, Carlos Pinto de Abreu, defensor do arguido Paulo Costa, ex-quadro da Petrogal, disse que a Justiça está a tratar José Sócrates como "cidadão de primeira" ao ordenar que sejam destruídas as escutas das conversas entre o primeiro-ministro e o ex-ministro Armando Vara.

Como o próprio Pinto de Abreu disse em frente do juiz Carlos Alexandre, "para a Justiça, há cidadãos de primeira e cidadãos de segunda. Para os cidadãos de primeira, não só há um foro especial, culpa do legislador, como não pode haver conhecimentos fortuitos". Esta justiça de primeira, acrescentou, "é do procurador-geral da República [Pinto Monteiro] e do presidente do Supremo Tribunal de Justiça [Noronha do Nascimento]".

A tese da politização foi repetida por Rodrigo Bastos. O advogado de Vara juntou-lhe a "mediatização" que levou a que se tornasse famoso o "cachecol vermelho", que usou ainda no Tribunal de Instrução Criminal no dia 9 de Fevereiro.

Acrescentou o advogado de Vara que já se fazem apostas entre os advogados e que todos se inclinam para que o juiz Carlos Alexandre pronuncie os arguidos e os leve a julgamento, uma vez que o costuma fazer em "97 a 98% dos casos".

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