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Correio da Manhã

Política
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Sócrates mobiliza PS para reagir à pressão

Mobilizar o Partido Socialista. No essencial, é este o motivo de uma série de reuniões que o secretário-geral, José Sócrates, convocou junto dos órgãos nacionais e até de militantes. Entre os temas da actualidade a debater poderão estar as recentes polémicas em torno do processo ‘Face Oculta’ e da alegada pressão sobre os media.
16 de Fevereiro de 2010 às 00:30
Secretário-geral do PS, José Sócrates, agendou encontros com os órgãos nacionais e com militantes do partido
Secretário-geral do PS, José Sócrates, agendou encontros com os órgãos nacionais e com militantes do partido FOTO: Tiago Petinga/Lusa

'O motivo dos encontros é discutir questões políticas, nomeadamente temas da actualidade que têm sido debatidos pela Comunicação Social e que nos preocupam', adiantou ao CM Vitalino Canas, do Secretariado Nacional do PS. 'E para enfrentar essa ofensiva é necessário mobilizar o partido', acrescentou o responsável, ressalvando porém o facto de estes encontros serem agendados num momento em que se concluiu o processo do Orçamento do Estado e, nesse sentido, fazerem parte de 'um processo normal' no seio do partido. Opinião semelhante tem Capoulas Santos, vice-presidente da Comissão Política do PS. Mas a verdade é que estas reuniões partidárias coincidem também com o momento em que surgem sinais de divisão dentro do PS.

GESTORES DEVEM RENUNCIAR AOS CARGOS NA PT

A Comissão de Trabalhadoresda Portugal Telecom anunciou que está 'a aguardar por novos desenvolvimentos' sobre o caso dos dois administradores alegadamenteenvolvidos num plano para controlar órgãos de Comunicação Social, adiantando que, 'a ser verdade,deverão renunciar aos cargos'.

'Trata-se de uma matéria melindrosa, mas, a ser verdade e a comprovar-se, os administradoresdeverão renunciar aos cargos', disse o coordenador da Comissão de Trabalhadores, Mário Rojo. O dirigente sindical referiu também quea posição da Comissão de Trabalhadores se baseia no Código de Ética da PT, em que é pedida lealdade para com o grupo empresarial por parte dos colaboradores e empenhamento 'em salvaguardar a sua credibilidade e boa imagem em todas as situações'.

PGR PRESTA ESCLARECIMENTOS EM REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA

O procurador-geral da República, Pinto Monteiro, agendou para dia 2 de Março uma reunião extraordinária do Conselho Superior do Ministério Público para explicar a sua decisão de não abrir um inquérito ao alegado plano do Governo para controlar a Comunicação Social, com base nas escutas do processo ‘Face Oculta’.

Segundo apurou o CM, Pinto Monteiro enviou ontem uma mensagem electrónica aos conselheiros a convocar uma reunião extraordinária para prestar esclarecimentos 'sobre questões jurídicas'. Recorde-se que os magistrados de Aveiro encontraram 'fortes indícios' de um plano que podia configurar um crime de atentado contra o Estado de Direito, mas Pinto Monteiro entendeu não abrir uma investigação.

REUNIÕES

17 DE FEVEREIRO

Reunião do Secretariado Nacional do PS, no largo do Rato. No dia seguinte Sócrates reúne-se com grupo parlamentar.

20 DE FEVEREIRO

Comissão Nacional reúne-se no Altis Lisboa. À tarde, José Sócrates participa numa reunião de militantes na Federação do Porto.

20 DE MARÇO

O secretário-geral decidiuainda realizar a convenção ‘Novas Fronteiras’, em articulação com o Conselho Coordenador das Novas Fronteiras.

"HÁ QUE DAR RESPOSTA A NOVA REALIDADE DO PSD": Capoulas Santos, Vice-presidente da Comissão Política do PS sobre reuniões convocadas por José Sócrates

Correio da Manhã – Na sua opinião, o que motivou o secretário--geral do PS a convocar uma série de reuniões partidárias?

Capoulas Santos – É a actividade normal do partido. Passada a fase do Orçamento do Estado e de umas miniférias de Carnaval, faz todo o sentido. Os plenários com militantes e com os órgãos nacionais são regulares e a verdade é que desde o princípio do ano não tivemos essa oportunidade.

– Considera que está em causa o mero cumprimento de agenda? E as polémicas em torno do processo ‘Face Oculta’ e das alegadas pressões nos media, e a consequente divisão que estarão a provocar entre socialistas?

– Estes plenários justificam-se simplesmente porque estamos a iniciar um novo ciclo político. Não podemos esquecer que o principal adversário político está a apresentar-se com uma nova realidade. Há que dar resposta a isso.

– Mas não está na altura de José Sócrates dar uma palavra ao PS sobre todas as polémicas que correm na praça pública?

– Estes encontros são para debater a actualidade política. O secretário-geral dirá o que entender.

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