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Correio da Manhã

Política
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Sócrates sabia das dificuldades

O primeiro-ministro, José Sócrates, e o governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, terão sido informados por Oliveira e Costa das dificuldades financeiras do grupo BPN/SLN em Dezembro de 2007.

3 de Abril de 2009 às 00:30
Rui Machete foi ontem ouvido pelos deputados na comissão de inquérito parlamentar ao caso BPN
Rui Machete foi ontem ouvido pelos deputados na comissão de inquérito parlamentar ao caso BPN FOTO: Miguel A. Lopes, Lusa

Numa acta do Conselho Superior da SLN, entregue pelo ex-presidente Rui Machete à comissão de inquérito parlamentar, datada de 17 de Dezembro de 2007, Oliveira e Costa faz um resumo das explicações que deu junto do primeiro-ministro, durante uma reunião, sobre uma eventual entrada do grupo norte-americano Carlyle no capital d BPN/SLN para colmatar os problemas existentes com o rácio de solvabilidade da instituição.

Segundo o documento, o então presidente do banco referiu que tomou "medidas complementares sobre este assunto", tendo abordado Sócrates "para explicar as implicações da possibilidade de abrir o capital a uma entidade estrangeira". Oliveira e Costa pretendia saber se o chefe do Executivo tinha alguma coisa a opor ao negócio.

José Sócrates acolheu bem a sugestão, acrescenta-se na acta, e terá inclusive dado a indicação de que iria informar Vítor Constâncio da necessidade de uma reunião para ser o BPN a colocá-lo a par desta situação.

De acordo com Rui Machete, a venda do capital do grupo à Carlyle, mais tarde rejeitada pelos accionistas, "resultou da sensação de que o grupo se encontrava numa situação de dificuldades". Para Machete, o encontro aconteceu porque Oliveira e Costa defendia a noção de que "o banco devia manter-se em mão nacional e que este negócio punha em causa esse princípio".

Outra das actas entregue por Rui Machete revelou que os accionistas que fizeram parte da Comissão de Avaliação e Nomeações, Almiro Silva, Joaquim Coimbra, Adelino Silva e Fernando Cordeiro, pediram dinheiro pelas tarefas desenvolvidas no período em que planearam a mudança de gestão do grupo SLN/BPN e a saída de Oliveira e Costa da presidência da instituição.

JORGE COELHO DEMARCA-SE

O presidente executivo da Mota-Engil, Jorge Coelho, enviou uma declaração à comissão de inquérito parlamentar na qual afirma ser "falso" ter quaisquer interesses em empresas do grupo SLN ou no BPN. A tomada de posição surge numa carta assinada também pelo actual presidente do conselho de administração da SLN, Fernando Lima, depois de rumores que davam conta de ligações do nome do antigo dirigente socialista ao universo SLN. Coelho chegou a fazer parte da lista de audições da comissão.

APOIOS

DECISÃO FINAL

O Governo de José Sócrates conta reunir nos próximos dias todos os elementos necessários para tomar uma decisão final sobre o Banco Português de Negócios (BPN).

CONSELHO SUPERIOR

Rui Machete presidiu ao Conselho Superior enquanto representante da Fundação Luso-Americana, que lidera. Fundação esta que foi convidada por Oliveira e Costa a entrar no capital da instituição financeira.

 

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