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Correio da Manhã

Política
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Sócrates vira costas à Oposição

A morte estava há muito anunciada. E o debate de ontem no Parlamento foi o funeral de um Governo eleito pelos portugueses em Setembro de 2009 e de um primeiro-ministro que estava há seis anos no poder.
24 de Março de 2011 às 00:30
José Sócrates no momento em que saía do Parlamento
José Sócrates no momento em que saía do Parlamento FOTO: João Miguel Rodrigues

José Sócrates entrou mudo e saiu calado do hemiciclo de São Bento. Assistiu à intervenção de abertura do ministro das Finanças e saiu de imediato da bancada do Governo para não mais voltar. Aliás, a presença de ministros no Parlamento foi escassa. Além de Teixeira dos Santos, marcaram presença Jorge Lacão, ministro dos Assuntos Parlamentares, Vieira da Silva, ministro da Economia, e Pedro Silva Pereira, ministro da Presidência.

O debate foi longo e muito comprido. A grelha escolhida por Jaime Gama e pelos líderes parlamentares previa 220 minutos de debate. Durou bastante mais. Tudo intervenções previsíveis, sem grande emoção ou surpresa. Nem mesmo Manuela Ferreira Leite, escolhida pelo PSD para fazer um dos discursos da bancada social--democrata, conseguiu animar um hemiciclo que esperava ansiosamente pelo momento da votação.

Do lado do PS, o ambiente não era obviamente o melhor. E só Francisco Assis, no encerramento do debate, conseguiu arrebatar os deputados socialistas quando afirmou que a Oposição bem podia derrubar o Governo, mas não iria conseguir derrubar o PS. O líder parlamentar socialista, que muitos já apontam como uma alternativa a Sócrates na liderança do PS, arrancou a maior salva de palmas da longa tarde em São Bento.

As cinco resoluções apresentadas por todos os partidos da Oposição foram votadas favoravelmente por todos os deputados, com excepção óbvia do PS, que votou isoladamente contra todas. Não houve abstenções nem deputados rebeldes em qualquer das bancadas. Os 229 deputados presentes na hora da votação respeitaram escrupulosamente as estratégias dos seus estados-maiores.

DISCURSO DIRECTO

"CAVACO DEVE MOSTRAR QUE ESTÁ À ALTURA": Eduardo Cabrita, Deputado e ex-secretário de Estado

Correio da Manhã – Era inevitável a demissão de Sócrates?

Eduardo Cabrita – Era, tendo em conta o quadro político. Esta é a crise política mais irresponsável das últimas quatro décadas. Tão grave quanto as oposições não terem para este tempo qualquer reposta ou alternativa.

– Irresponsabilidade de quem?

– Só sei que as eleições são sempre a última resposta. Os mercados não vão ficar de braços cruzados e isto vai custar caro aos portugueses e às empresas.

– Qual a solução que aponta agora para o país?

– O Presidente da República deve mostrar que está à altura do momento.

– De que forma?

– Não devo fazer especulação nem pressão sobre o Presidente.

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