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Correio da Manhã

Política
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Sprint final para cativar indecisos

O súbito falecimento da Irmã Lúcia veio alterar os planos traçados para a última semana de campanha. O CDS e o PSD cancelaram todas as iniciativas políticas de ontem, e de hoje, retomando na terça-feira. A CDU e o BE decidiram manter o calendário, tendo Francisco Louçã considerado “excessivo” os cancelamentos. Do lado do PS, apenas foram suspensas as acções de rua.
14 de Fevereiro de 2005 às 00:00
Parte significativa dos indecisos votou no psd em 2002
Parte significativa dos indecisos votou no psd em 2002 FOTO: Paulo Novais
A campanha entra na recta final e, da direita à esquerda, os partidos escolheram como alvo os abstencionistas e os indecisos. Através de comícios, arruadas e últimas promessas, os líderes tentam conquistar mais alguns votos.
O líder do PSD vai reforçar o apelo aos indecisos sem esquecer o combate ao PS. Santana Lopes vai centrar o seu discurso em temas que são caros aos mais desfavorecidos como o aumento dos impostos para os mais ricos. O líder vai ainda dirigir críticas ao PS, alertando para o “risco” de um eventual Governo PS/BE.
Já o líder socialista, José Sócrates, não tem dúvidas na vitória. O PS vai reforçar os pedidos de “maioria absoluta” e, nestes últimos dias, a campanha vai centrar-se nos distritos onde há mais deputados em jogo: Lisboa, Porto, Aveiro e Viana do Castelo. Acções de rua, comícios e iniciativas com idosos e jovens preenchem a agenda socialista até ao comício final no dia 18.
O CDS vai dramatizar o discurso nos apelos aos abstencionistas e à classe média, lembrando a serenidade e o sentido de Estado do partido. A campanha tem sido escassa em iniciativas, mas o CDS vai regressar às acções de rua. Uma arruada ou feira de manhã, a tenda de debate à tarde e um comício à noite.
A CDU quer capitalizar a “simpatia e apoio” que obteve até agora e por isso vai continuar a apostar nas acções de rua. Os pontos altos dos últimos dias deverão ser a arruada no Porto e o comício em Braga. No dia 18, Jerónimo almoça com os trabalhadores da Câmara de Lisboa e encerra os trabalhos na Pavilhão Atlântico.
O BE prometeu que o “tom do debate político será o mesmo”. As críticas aos adversários não irão faltar, especialmente “ao PS nos aspectos em que temos desacordos essenciais”, sublinhou Louçã. O líder do BE garantiu ainda que irá acentuar os aspectos em que o voto no seu partido representa uma garantia de mudança.
A ESTRATÉGIA DOS LÍDERES PARTIDÁRIOS
MOVIMENTO POLÍTICO ABERTO
O líder do PSD, Santana Lopes, revelou ontem que “a principal mensagem política nesta última semana vai ser que nós somos um movimento político aberto e acolhemos bem mesmo aqueles que lutaram no passado em outros partidos”.
DISCURSO DO RIGOR E VERDADE
Para o líder do PS, José Sócrates, a estratégia a seguir é clara: “O PS está em luta pela maioria absoluta. Ainda há mais uma semana de campanha e nós vamos insistir num discurso de verdade e rigor porque isto não vai lá com “bacalhau a pataco”.
CAMPANHA LIMPA ATÉ AO FIM
Paulo Portas garantiu uma “campanha limpa até ao fim”, até porque o líder do CDS-PP tem a sensação, segundo apurou o CM, que vêm aí ataques ao partido. “Impedir que os radicais de esquerda tenham o poder nas mãos”, é outro objectivo.
CONTACTOS COM POPULAÇÕES
“Vai haver uma aposta forte no contacto com as populações das empresas e da rua”, disse uma fonte do Gabinete de Jerónimo de Sousa. O líder do PCP, na última semana de campanha eleitoral, vai apostar ainda na conquista de votos dos indecisos.
APELO AOS INDECISOS
O Bloco de Esquerda vai concentrar a sua campanha “no apelo ao voto dos abstencionistas, dos indecisos, daqueles que na esquerda se preocupam com que os contornos da mudança”, frisou Francisco Louçã, acrescentando que as críticas irão continuar.
OS VOTOS QUE DECIDEM
Nos próximos cinco dias, os partidos políticos ainda têm muitos eleitores a conquistar. A sondagem Correio da Manhã/Aximage revela que 6,4% dos eleitores que manifestam intenção de votar ainda se mostram indecisos quanto ao sentido. Outro foco dos apelos dos candidatos são os abstencionistas, que ainda representam 35,1% do eleitorado.
A campanha contribuiu para uma diminuição quer dos indecisos, quer dos abstencionistas e por isso todos os partidos apostam nestes segmentos eleitores, que no próximo domingo decidirão quem ganha e quem perde. A maioria dos indecisos são os eleitores que em 2002 votaram Barroso. Se Santana os segurar pode impedir a maioria absoluta de Sócrates. Mas nas últimas semanas, o sentido de voto dos indecisos caiu mais para a esquerda.
FICHA TÉCNICA DA SONDAGEM
OBJECTIVO: Intenção de voto legislativo.
UNIVERSO: Eleitores residentes em Portugal em lares com telefone fixo.
AMOSTRA: Aleatória estratificada por região, sexo, idade, actividade, instrução e voto legislativo, polietápica e representativa do universo, com 600 entrevistas telefónicas (341 a mulheres).
COMPOSIÇÃO: Proporcional pela variável estratificação.
RESPOSTAS: Taxa de resposta de 88,1 por cento. Desvio padrão máximo de 0,020.
REALIZAÇÃO: 7 a 8 de Fevereiro, para o Correio da Manhã pela Aximage, com a direcção técnica de Jorge Sá e Luís Reto.
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