page view

Subornos pagos no caso Freeport

João Cabral, engenheiro civil que trabalhou para a Smith & Pedro na época do projecto Freeport e que actualmente trabalha no outlet de Alcochete, foi ontem advertido pelo colectivo de juízes do Tribunal do Barreiro que incorria no pagamento de uma multa e até de prisão por falsas declarações.

27 de junho de 2012 às 01:00

Só depois de muita insistência por parte dos juízes e do Ministério Público, João Cabral – depois ter negado a existência do pagamento de "luvas" – acabou por admitir que foram feitos pagamentos ilícitos "a alguém muito importante". Mas não sabe a quem.

O tribunal acabou por determinar a realização de um frente--a-frente entre João Cabral e os advogados José Gandarez, Alexandre Oliveira e Albertino Antunes. O engenheiro diz que numa reunião a 4 de Dezembro de 2001 os advogados apresentaram um pedido de pagamento de dois milhões "para desbloquear o processo, porque ia ser chumbado" e os advogados já tinham dito em tribunal nunca se ter falado em dinheiro.

João Cabral disse que ficou "completamente banzado. Ficamos todos em estado de choque quando nos pedem o pagamento de dois milhões". O engenheiro explicou que as indicações que tinha eram de que "o projecto ia ser aprovado, embora com algumas condicionantes". Por isso, disse, foi pedido aos advogados que apresentassem o pedido por escrito, que é enviado por fax, "mas aí já só pedem 1,250 milhões".

"DVD É VIRTUAL, NÃO EXISTE"

À saída do tribunal, João Cabral afirmou aos jornalistas que a existência de um DVD em que aparece a falar sobre os pagamentos a José Sócrates com Charles Smith "é virtual para mim. Simplesmente não existe", alegando não conhecer a gravação e que quem está nas imagens "deve ser outro. É alguém bem disfarçado".

Recorde-se que este DVD não faz parte das provas admitidas em julgamento, embora várias testemunhas se tenham referido em tribunal ao seu conteúdo – que regista uma reunião em que se fala de pagamentos ilícitos ao então ministro do Ambiente José Sócrates. Nem o colectivo de juízes nem o Ministério Público o podem fazer, sob pena de a defesa requerer a imediata anulação do julgamento.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Exclusivos

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8