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Correio da Manhã

Política
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Taxa de Rui Rio agrava crise interna no PSD

Líder do PSD quer combater especulação imobiliária com aumento do IRS sobre as mais-valias.
Diana Ramos e Salomé Pinto 14 de Setembro de 2018 às 08:51
Rui Rio
Rui Rio
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O presidente do PSD, Rui Rio, desencadeou uma onda de críticas internas quando anunciou a sua proposta para combater a especulação imobiliária: agravar a taxa de IRS sobre as mais-valias.

Rio defende que "quem vende uma casa ao fim de dez anos deveria ter uma taxa, quem vende ao fim de 20 ou 30 anos se calhar não pagaria nada, e quem anda a comprar e vender pagaria bastante, porque anda a inflacionar o preço do mercado", explicou durante o Conselho Nacional do PSD, nas Caldas da Rainha.

Mas a medida indignou muitos sociais-democratas, mesmo aqueles que têm apoiado a atual liderança, como António Leitão Amaro. Várias fontes relataram ao CM que, no final da reunião magna, o vice-presidente do grupo parlamentar disse a Rio que a medida é "politicamente, tecnicamente e identitariamente um erro", lembrando que aparece a reboque do Bloco.

O deputado alertou Rio que a proposta pode ter um efeito perverso, levando os proprietários a refletir nos inquilinos o agravamento fiscal. E frisou que o problema mais sério é o da oferta de habitação nos principais concelhos das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto.

O CM sabe também que Luís Rodrigues, ex-secretário-geral adjunto do PSD e um dos opositores internos, apontou críticas a Rio pelo apoio à taxa Robles do BE, antes mesmo de saber que o líder iria apresentar uma iniciativa idêntica. Segundo informação recolhida pelo CM, Luís Rodrigues avisou mesmo que é totalmente contra a posição do presidente e lembrou que já existe um imposto sobre as mais-valias.

Um dirigente social-democrata reconheceu ao CM que a forma como o presidente do PSD e ex-autarca do Porto tem apresentado as ideias reflete alguma "falta de estratégia". E avisou que a taxa sobre o imobiliário deverá ser "limada", de forma a Rio não perder a face.

O "general sem tropas" ouviu quase indiferente
No Conselho Nacional, vários sociais-democratas apontaram o dedo ao seu líder. Virgínia Estorninho, militante histórica, acusou Rio de ser um "general sem tropas". Hugo Soares, ex-líder parlamentar, criticou a estratégia. Luís Rodrigues, que nas autárquicas se candidatou a Arraiolos, lembrou o clima de suspeição que se está a criar ao processar os candidatos mais gastadores. Rui Rio manteve-se impassível.

Reforma da Saúde passa pela gestão privada e social
O PSD quer generalizar as Parcerias Público-Privadas no Sistema Nacional de Saúde (SNS). A proposta consta do documento 'Uma política de saúde para Portugal' apresentado, ontem, por Luís Filipe Pereira, na sede nacional do partido, em Lisboa. É necessário "quebrar um tabu ideológico" para "salvar e não eliminar" o sistema público, defendeu o antigo ministro da Saúde de Durão Barroso e Santana Lopes. Atualmente coordenador do Conselho Estratégico Nacional nesta área, Luís Filipe Pereira esclareceu que não está em causa a privatização do SNS mas sim alargar a sua gestão privada.
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