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Correio da Manhã

Política
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Todos querem boas contas

O saneamento financeiro da Câmara de Lisboa é uma prioridade comum a todos os candidatos à presidência da maior autarquia do País. Não fosse o facto de o município enfrentar actualmente uma dívida superior a 1,2 mil milhões de euros. Empréstimos, redução do número de assessores e avençados, extinção de empresas municipais e venda de imóveis são apenas algumas das soluções apontadas pelos candidatos.
18 de Junho de 2007 às 00:00
A Caixa já emprestou este ano milhões à Câmara de Lisboa
A Caixa já emprestou este ano milhões à Câmara de Lisboa FOTO: direitos reservados
Perante a grave situação financeira da Câmara de Lisboa, todos os candidatos foram obrigados a traçar um plano de emergência. António Costa, candidato do PS, já admitiu mesmo pedir ajuda ao Governo. Como? Através da nova Lei das Finanças Locais, que permite às autarquias recorrerem a um empréstimo para sanearem as suas contas.
“A Câmara de Lisboa precisa de um contrato de saneamento financeiro. Sem isso não é capaz de resolver a sua situação a curto prazo nem de se reestruturar no médio prazo”, defendeu António Costa, que estabeleceu ainda como prioridade o pagamento de dívidas até cinco mil euros aos fornecedores.
Para Fernando Negrão, candidato do PSD, e José Sá Fernandes, candidato do BE, parte da solução para a crise financeira da autarquia passa por um empréstimo. “Tem de se consolidar as contas da Câmara de Lisboa através de um empréstimo de médio e longo prazos, que não deverá exceder os 20 anos”, afirmou o candidato social-democrata. Mas Fernando Negrão não se fica por aqui e, conforme já adiantou ao CM, pretende “reduzir drasticamente o número de assessores” e verificar quem é “dispensável” dos cerca de 1300 avençados. Estas duas medidas são também defendidas por António Costa, que afirmou que só o custo com as avenças ascende aos 18 milhões de euros.
Já Telmo Correia opõe-se frontalmente às soluções que passem por um empréstimo. “Pedir um empréstimo significa mais endividamento. É necessário um novo modelo de gestão e acabar com a duplicação de serviços”, disse ao CM o candidato do CDS-PP. Por outro lado, José Sá Fernandes defende ainda a venda dos imóveis municipais “não afectos a qualquer função relevante”, assim como a promoção da venda ou arrendamento dos fogos reabilitados.
Tal como o candidato do BE, Ruben de Carvalho, da CDU, quer a extinção da empresa de saneamento EMARLIS. Mas, em relação às dívidas, o candidato da única coligação nestas eleições defende a renegociação destas com os fornecedores.
A candidata independente Helena Roseta quer dar prioridade à reestruturação da dívida, à racionalização de meios e a implementação da avaliação de desempenho dos funcionários. O CM tentou contactar a candidatura de Carmona Rodrigues, mas até ao final desta edição não foi possível.
NÚMEROS CAPITAIS
- 285 966 é o total das mulheres inscritas nos cadernos eleitorais de Lisboa onde os homens são só 237 336.
- 44 por cento dos eleitores de Lisboa têm um nível de ensino superior, de acordo com estudos do sociólogo Manuel Villaverde Cabral.
- 35 por cento dos eleitores lisboeta pertencem à classe média e média alta de acordo com a mesma radiografia social feita em 2004.
- 9 freguesias em 53 foram as vitórias do candidato do PS, Manuel Maria Carrilho, nas autárquicas de Outubro de 2005.
- 1339 foi o ano em que se criou a Câmara dos Paços como local fixo e habitual de reunião do Senado de Lisboa, junto à Sé, onde actualmente se encontra a Capela de Santo António.
NOTAS
NEGRÃO HOJE EM CARNIDE
Fernando Negrão, candidato do PSD, visita hoje a extensão do Centro de Saúde de Carnide
CIDADE DE SOLITÁRIOS
Em 2001 cerca de um em cada dez habitantes de Lisboa (12,6%) vivia sozinho
11 MIL JOVENS SPZINHOS
Entre os cidadãos solitários que residem em Lisboa encontram-se 11 mil jovens com menos de trinta anos
52 MIL PESSOAS VIÚVAS
O número de pessoas viúvas na capital portuguesa ascende a 52 mil. 85% são mulheres
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