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Correio da Manhã

Política
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Três dias por 800 mil euros

São 1500 delegados eleitos, mais 200 por inerência, sem contar com familiares, observadores e muitos convidados. Contas feitas, esperam-se por dia cerca de quatro mil participantes no congresso do PS, que se realiza nos dias 10, 11 e 12 de Novembro, em Santarém. Dados admitidos ao Correio da Manhã pelo presidente da Comissão Organizadora do conclave, Capoulas Santos. Entre refeições, hotel e transporte, cada pessoa pode gastar 200 a 250 euros. Estimativas feitas, se estiverem presentes diaramente cerca de quatro mil pessoas, totalizam-se 800 mil euros.
15 de Outubro de 2006 às 00:00
No último congresso do PS, José Sócrates introduziu um teleponto ‘invisível’, só detectado pelo tripé
No último congresso do PS, José Sócrates introduziu um teleponto ‘invisível’, só detectado pelo tripé FOTO: d.r.
Só entre congressistas, o conclave pode dar à região cerca de 340 mil euros.
O congresso, que se realiza no Centro Nacional de Exposições de Santarém (CNEMA), não foi escolhido ao acaso. A reunião magna, admite a organização do congresso, deverá reunir o maior número de pessoas dos últimos anos. E nada foi deixado ao acaso: espaço para estacionamento a perder de vista e um restaurante dentro do CNEMA com capacidade para fornecer 1500 refeições.
REDUZIR SECÇÕES
O secretário-geral do partido, José Sócrares, através da sua moção, já deu indicações claras de que o congresso deve focar os seus trabalhos para o País e não para questões internas, e ontem disse-o com todas as letras. Talvez por isso só depois do conclave se avance para o debate da revisão dos Estatutos. Mas já há uma linha de orientação. Além da extinção da comissão permanente, José Sócrates quer acabar com “as micro-secções” e racionalizar recursos. E qual é o universo? O dirigente responsável pela organização do partido, Marcos Perestrello, apenas recorda que actualmente o mínimo de militantes para formar uma secção é 15. Este número sofrerá alterações. “Haverá mecanismos de adaptação”, assegura, recordando que não se pode comparar a dimensão de uma secção de Lisboa com uma do Interior. Só na capital, há 17. E a nível nacional rondará as 800. Mas o processo só será discutido depois do congresso.
Questionado pelo CM sobre se a necessidade de alteração às estruturas locais se prende com a contabilidade do PS, Marcos Perestrello responde: “Operacionalidade política, logística e financeira. É por essa ordem.” E nada mais diz. A pergunta impunha-se porque, em Agosto, a Entidade das Contas– que fiscaliza os gastos dos partidos– apresentou um regulamento que obriga as forças políticas a apresentar os valores não só da estrutura central mas também a nível distrital e concelhio.
Ao Correio da Manhã, uma fonte socialista, que preferiu o anonimato, admitiu que “há uma preocupação com a organização das contas subjacente à redução de secções”. Do lado das Federações, Vítor Ramalho, líder da Federação de Setúbal, e José Junqueiro, de Viseu, asseguram ao CM que a ideia de Sócrates “é consensual”.
MÍNIMO DE 50 DELEGADOS
Depois da polémica em torno da publicação ‘on-line’ das moções a congresso e da regularização das assinaturas dos respectivos documentos, há ainda outro dado que é preciso ter em linha de conta. Helena Roseta e José Leitão têm, obrigatoriamente, de conseguir eleger 50 delegados afectos à moção ‘Solidariedade e Cidadania’ para a poderem discutir e levar a votos na reunião magna do partido.
O mesmo se aplica à moção subscrita por Fonseca Ferreira e Menezes Rodrigues ‘As pessoas no centro das políticas’.
Nos próximos dias 27 e 28, os militantes elegem não só o líder mas também os delegados a congresso e, aí, se saberá quantos delegados estão afectos a cada moção global. Nesse momomento saber-se-á se haverá ou não mais polémica no período pré-congresso. É que se Helena Roseta não conseguir o mínimo de delegados corre o risco de não poder levar o seu texto a votos e, nessas circunstâncias, estará dependente da boa vontade dos delegados afectos à moção de José Sócrates.
CONVITE A PARTIDO DEMOCRATA
Os convites para o congresso do PS estão feitos. Representantes de todos os países com embaixadas em Portugal, todos os militantes socialistas – cerca de 90 mil –, os partidos pertencentes ao Partido Socialista Europeu (PSE) e até ao Partido Democrata norte-americano estão na lista dos convidados. O Partido Democrata, recorde-se, não faz parte da Internacional Socialista (IS), apesar das diligências feitas nesse sentido, por exemplo, de António Guterres, na qualidade de líder da IS.
O congresso socialista também promete inovação. Capoulas Santos não quis adiantar pormenores, mas é certo que a reunião magna deverá seguir as pisadas da anterior, realizada em Outubro de 2004, altura em que se introduziu um teleponto, cuja característica principal era a de só ser visto por quem o usava.
NOTAS E RETER
CONTAS
No distrito de Santarém, os preços dos hotéis médios (três e quatro estrelas) variam entre 30 e 80 euros. Um militante socialista que fique num hotel médio e que não gaste mais de 50 euros/noite tem de despender 150 euros por três dias, além de quatro refeições – cerca dez euros cada – fora o combustível, para ir ao congresso. Só entre dormidas e alimentação contabilizam-se 190 euros em média.
CADERNOS
Os cadernos eleitorais para a eleição do secretário-geral do PS e dos 1500 delegados ao congresso já foi enviado às 718 secções de voto, espalhadas por todo o País. Nas listas constam 88 872 militantes em condições de votar. Para execer esse direito, o militante tem de fazer prova do pagamento de quotas do primeiro semestre de 2006, ou seja, seis euros.
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