Barra Cofina

Correio da Manhã

Política
6

Tropa dá emprego a 10 mil jovens

O espectro de falta de gente para as tropas profissionalizadas, decorrente do fim do Serviço Militar Obrigatório (SMO), parece estar em vias de ser ultrapassado, pelo menos este ano. Os últimos números oficiais indicam que 9676 jovens de 18 anos desejam fazer um contrato com as Forças Armadas (FA), tendo já entregue as pré-candidaturas nas 11 unidades militares onde compareceram.
28 de Março de 2005 às 00:00
Esta é uma das heranças que Paulo Portas deixa ao novo ministro da Defesa, Luís Amado. Contudo, trata-se apenas de uma batalha da guerra da profissionalização das Forças Armadas que continuará por muitos mais anos.
Depois do fim do SMO, em 19 de Novembro de 2004, Paulo Portas lançou uma campanha de sensibilização junto dos jovens mancebos no ‘Dia da Defesa Nacional’, tendo, por isso, recorde-se, sido alvo de críticas. O ‘Dia da Defesa Nacional’ é uma iniciativa destinada este ano a cerca de 70 mil jovens do sexo masculino, nascidos em 1986, sendo que é permitida a presença dos voluntários do sexo feminino. Entre seis de Outubro e 11 de Março último, dos 58 031 jovens convocados, 43 739 compareceram e destes 9676 declararam querer fazer um contrato (de seis anos) com as FA. Obviamente que os ramos militares preferidos pelos jovens foram a Força Aérea e a Marinha, o que poderá trazer alguns problemas ao Exército.
Naturalmente que os jovens mancebos foram, desde logo, atraídos pelos salários (entre 575 e 600 euros por mês), pelas saídas profissionais (nomeadamente entrada directa para a GNR) e a compatibilidade com os estudos (acesso ao ensino superior público). O que quer dizer que as Forças Armadas passaram a ser uma fonte promotora de emprego e de primeiro trabalho dos jovens, em particular em momentos de crise económica.
EXÉRCITO É BASTANTE ATRACTIVO
“O Exército é uma entidade bastante atractiva no mercado de trabalho”. Com esta afirmação, o coronel Vasco Pereira, relações públicas do Exército, deixa claro que, ao contrário do que se poderá ter receado quando o Serviço Militar Obrigatório (SMO) foi extinto, em Novembro de 2004, “os jovens têm respondido de forma muito positiva em relação àquelas que são as suas possibilidades de emprego” neste ramo das Forças Armadas. Com 13 mil praças nos seus quadros, para além de oficiais e sargentos, o Exército, “até agora, não tem tido problemas no recrutamento de jovens”, sublinha o coronel Vasco Pereira.
Para este responsável, neste momento, o fim do SMO “é uma aposta ganha” pelo Exército, dado que conseguiu “materializar a atractividade” deste ramo para a juventude portuguesa optar pela vida militar. Com condições atractivas, não admira que os jovens, perante uma conjuntura económica difícil, tenham interesse em ingressar no Exército.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)