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Correio da Manhã

Política
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Ulrich: Ainda há sectores com margem para mais austeridade

O presidente do BPI, Fernando Ulrich, afirmou em Faro que há sectores de actividade e segmentos da população "que ainda têm alguma margem de manobra" para uma eventual aplicação de mais medidas de austeridade.
26 de Junho de 2012 às 10:38
Fernando Ulrich lidera o BPI
Fernando Ulrich lidera o BPI FOTO: Bruno Simão/Negócios

"É evidente que eventuais medidas desse tipo serão duras para muitas pessoas e que aqueles para quem já foram duras no passado são aqueles que têm menos capacidade para poder enfrentar mais medidas, mas há sectores de actividade e segmentos da população que ainda têm alguma margem de manobra", disse.

Falando aos jornalistas à margem de uma palestra, no quadro da Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEG) a que pertence, o gestor bancário escusou-se a precisar quais são esses scetores de actividade e se são públicos ou privados.

Contudo, salientou que agora "há mais margem de manobra" na economia portuguesa para a imposição de eventuais medidas restritivas do que há um ano.

Apesar de considerar "natural" que haja necessidade de ajustamentos em função da execução orçamental, Ulrich disse que os dados relativos à diminuição das receitas fiscais recentemente divulgados não alteram a avaliação positiva que faz da evolução da economia ao longo dos últimos meses.

O presidente da administração do Banco Português de Investimento (BPI) elogiou o trabalho do Governo após um ano de mandato no reequilíbrio das contas públicas e classificou de "impressionante" a evolução do país desde a assinatura do memorando com a 'troika'.

"Um ano depois de assinarmos o memorando da 'troika', são impressionantes os progressos que já foram feitos", enfatizou.

Para o banqueiro, o trabalho desenvolvido no último ano devolveu a boa imagem de Portugal no exterior e hoje, no estrangeiro, "há respeito pelo que Portugal está a fazer", o que considerou fundamental como alicerce para que se criem condições para a recuperação económica do país.

"Quando vou ao estrangeiro. Verifico que as pessoas têm uma imagem diferente de Portugal, talvez ainda não tão forte como merecemos, mas não tenho dúvidas que já muito melhor do que era antes", ilustrou.

O banqueiro, que proferiu uma palestra de mais de uma hora num jantar debate organizado no Seminário da capital algarvia, elencou vários progressos do último ano, como a correcção dos desequilíbrios externos, a redução do défice orçamental e o arranque do programa de privatizações e reformas estruturais.

Defendeu a continuação da actual política restritiva, baseada no crescimento das exportações, pois uma estratégia com base no crescimento do consumo "é para países que estão numa situação forte, como é o caso da Alemanha e dos países nórdicos".

Ulrich considera que o euro tem condições para continuar como moeda europeia no futuro, observando que os objectivos que presidiram à sua criação têm sido cumpridos.

"O facto de o euro continuar a valer mais do que o dólar - e já valeu menos, logo quando foi lançado - é a prova de que é uma moeda forte e que estamos no bom caminho", disse, sustentando que o sucesso da moeda única europeia torna-a "alvo de inveja".

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