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Correio da Manhã

Política
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ÚLTIMA BARRACA DE ISALTINO

Nem o facto de estar a ser alvo de um inquérito judicial, impediu Isaltino Morais de comemorar, embora de forma diferente, o 25 de Abril. O ex-ministro das Cidades , que se demitiu devido uma notícia sobre a alegada fuga ao fisco, assistiu ontem à demolição simbólica da última barraca do município de Oeiras a que presidiu durante 16 anos.
26 de Abril de 2003 às 00:00
O ex-ministro fez, aliás, questão de afirmar que aquele era o dia mais feliz da sua vida e que esses problemas “eram apenas ‘peanuts’” (amendoins).
Isaltino foi recebido com aplausos e “vivas” pelas cerca de 500 pessoas que, mesmo sob a chuva intensa, fizeram questão de participar nos festejos no Bairro da Pedreira dos Húngaros. Numa festa onde também participaram o ministro da Educação, David Justino, que foi vereador da autarquia e geriu o pelouro do Plano Especial de Realojamento (PER), e o ministro dos Assuntos Parlamentares, Marques Mendes, não faltou a música, o pão, a carne assada (quatro porcos e duas vitelas), o vinho (500 litros), e a cerveja (2500 litros).
Visivelmente satisfeito com a recepção dos populares, Isaltino afirmou que era com muito prazer que participava numa festa que ele próprio tinha planeado quando ainda era autarca de Oeiras. “Foram muitos anos a apostar na resolução de um problema que é gravíssimo no nosso país, principalmente na Área metropolitana de Lisboa. Em Oeiras eram cerca de cinco mil famílias que viviam em barracas”, declarou o ex-ministro para quem ser recebido com tanto carinho significa que na política, afinal, há reconhecimento.
No entanto, questionado se tanto carinho o faria regressar à presidência da autarquia, Isaltino respondeu que não. “Já renunciei ao mandato e enquanto não for tudo esclarecido não exercerei nenhum cargo político”, sustentou.
Sobre o caso que o levou à demissão do Governo e, mais em concreto, sobre a abertura do inquérito judicial entretanto decidida pela Procuradoria-Geral da República, Isaltino não quis falar. Limitou-se a responder que a situação estava a ser regularizada e a ser tratada nos órgãos competentes.
Teresa Azambujo, actual autarca de Oeiras, afirmou estar muito feliz pelo facto de Isaltino ter sido recebido com grande entusiasmo.“São momentos em que não podemos deixar de reconhecer e de ter muita gratidão por um trabalho de 16 anos”, afirmou.
Segundo Rui Soeiro, vereador da Câmara de Oeiras, foram recenseadas, no bairro da Pedreira dos Húngaros, 578 barracas (18,3 por cento do total das barracas em todo o concelho), habitadas por 2362 pessoas. O realojamento, segundo o vereador, foi feito de forma dispersa por várias urbanizações sociais do concelho.
“Ao todo foram gastos cerca de 150 milhões de euros e construíram-se 4500 fogos, do quais 3900 para arrendamento e 600 para venda. A última entrega de casa no âmbito do PER foi feita a 21 de dezembro, onde foram entregues as chaves de 182 fogos no Pátio dos Cavaleiros”, afirmou Rui Soeiro.
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