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Correio da Manhã

Política
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ÚLTIMA OPORTUNIDADE

O Presidente da República apelou ontem aos portugueses para aproveitarem bem as ajudas comunitárias porque são a “última oportunidade” do País “mostrar o que vale”. O recado foi dado ontem, em Manteigas, distrito Guarda, durante almoço na Adega Cooperativa de Vila Nova Tarzém.
28 de Outubro de 2002 às 00:50
Num dia dedicado a temas como o ambiente, turismo, economia e educação, Sampaio teve uma palavra para os produtores vitivinícolas, pedindo-lhes para se unirem e apostarem no marketing e no design. Para o Presidente, se esta estratégia não for implementada, Portugal será facilmente ultrapassado num mercado onde tem tradições. E repetiu o aviso na sua intervenção proferida na Câmara de Manteigas, lembrando que o País só tem mais três anos para mostrar o que vale na aplicação dos fundos comunitários. O terceiro Quadro Comunitário de Apoio (QCAIII) tem limites temporais (2006) e, por isso, os próximos três anos “são decisivos” e Portugal não terá outra oportunidade.

Em sua opinião, os portugueses têm de estar preparados para cooperarem com os parceiros europeus e a sociedade vai ter de apostar na especialização, no ensino, designadamente, no pré-primário, no combate ao analfabetismo, com a cooperação de todos, incluindo as autarquias.

Antes do discurso de Sampaio, o presidente da Câmara de Manteigas, José Manuel Biscaia (PSD), defendera a importância dos acessos rodoviários para o concelho e contestou abertamente os custos do túnel do Rossio, orçados em 80 milhões de contos, valor que, segundo as suas contas, permitiria fazer uma obra que ligaria todo o Interior. Sampaio ouviu e reconheceu o papel das acessibilidades no desenvolvimento da região, sem no entanto se pronunciar, concretamente, sobre as reivindicações do autarca.

A visita ao distrito da Guarda começou logo pela manhã com um percurso pedonal, em Folgosinho. À tarde, Jorge Patrão e José Manuel Biscaia defenderam a proposta de Património Mundial do Vale Glaciar do Zêzere em 2005. Sampaio ouviu, reconheceu o esforço, e lembrou a Serra da Estrela não deve ser um roteiro turístico só quando tem neve.

Isaltino promete apoiar projectos em curso

Jorge Sampaio inaugurou ontem a nova piscina municipal de Gouveia e classificou-a um bom exemplo “de investimento público com intervenção municipal e o recurso aos fundos comunitários”. Mas o limite ao endividamento das câmaras previsto no Orçamento para 2003 pode pôr em causa projectos como este. Porém, o ministro das Cidades e do Ordenamento, Isaltino Morais, que acompanhou a visita do Presidente, garantiu ao Correio da Manhã que “nenhum projecto cairá por terra”.

O ministro (um dos seis que acompanha Sampaio nesta Presidência aberta) lembrou que as autarquias dispõem de um ‘plafond’ de 40 milhões de contos- 200 milhões de euros- para aplicar nos projectos que estão em curso. E exemplificou: “Se uma câmara tem em curso um projecto de uma piscina com apoios dos fundos comunitários e a construção de um centro cultural, sem esse apoio, deve optar pelo primeiro”. Ou seja, cabe às câmaras estabelecer as prioridades.

O ministro lembra também que o crédito não é a única forma de financiar o trabalho das autarquias e pede a compreensão dos concelhos de todo o país para o momento de contenção. Depois, sublinha que a Administração Central vai sofrer mais cortes do que a Local. Logo, argumenta que esta contestação que se tem feito não faz muito sentido, numa resposta às críticas da presidente da Câmara Municipal da Guarda, Maria do Carmo Borges.

Quanto às câmaras devedoras, Isaltino Morais esclareceu ainda que é no litoral e não no Interior que se verificam os maiores problemas.

À margem das questões orçamentais, o ministro reconheceu que há alguns atrasos ao processo de aplicação do programa Polis na Guarda, mas que neste momento está a fazer um levantamento da situação a nível nacional e que só no decorrer de Novembro haverá mais novidades.
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