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Correio da Manhã

Política
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Um ano de Governo: 524 desempregados/dia

O Governo assinala hoje um ano de mandato, com o desemprego, o corte dos subsídios e o aumento dos impostos a marcarem a legislatura.

21 de Junho de 2012 às 01:00
Governo de Pedro Passos Coelho tomou posse há um ano
Governo de Pedro Passos Coelho tomou posse há um ano FOTO: Vasco Neves

Passos Coelho chegou ao poder com um desemprego recorde. Mas, por cada dia de governação, houve mais 524 pessoas que ficaram sem trabalho.

No primeiro trimestre do ano havia 819 mil desempregados.

"O crescimento e o desemprego são o maior problema de Portugal", admitiu ao CM o ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, na esperança de que o futuro será melhor. "Foi um ano de reformas estruturais, mas não tenho dúvidas que vão dar frutos. Mudar é difícil, em Portugal é muito mais difícil", acrescentou. A sobretaxa equivalente a metade do subsídio de Natal para todos os contribuintes em 2011 e o corte nos subsídios de Férias e Natal na função pública, a partir deste ano, juntamente com o aumento do IVA e o corte de deduções e benefícios fiscais no IRS, foram imposições da troika que o Executivo assumiu neste primeiro ano de governação.

Mas há outros números que espelham a realidade nacional: Em 365 dias sob a liderança da coligação PSD-CDS/PP, 150 mil portugueses emigraram. Os sacrifícios são compensados com nota positiva da troika, que desbloqueia o dinheiro para financiar o Estado.

Marques Mendes, ex-lider do PSD, sintetiza em três palavras a sua avaliação: globalmente muito positiva. Mas avisa: há "atrasos em algumas reformas", indispensáveis para o País crescer.

 


PASSOS COELHO: O BOM ALUNO DA UNIÃO EUOPEIA

Passos Coelho foi ao longo do primeiro ano de Governo o fiel escudeiro da troika em Portugal. Herdeiro de um memorando assinado pelo anterior primeiro--ministro, José Sócrates, Passos viu no programa de ajustamento financeiro e económico uma oportunidade para a aplicação de reformas que alguns adversários classificam de neoliberais.

Apesar das extremas dificuldades que o País e os portugueses atravessam, o primeiro-ministro gaba-se de quatro avaliações muito positivas da troika, e tem conseguido manter-se à tona de água nas sondagens, sempre acima do líder da oposição, António José Seguro.

Com o desemprego a crescer e a economia com sinais de anemia, apesar da balança comercial positiva, Passos Coelho tem conseguido atravessar o deserto sem ser atingido directamente, ao contrário de alguns dos seus ministros. O programa da troika tem servido também de álibi e desculpa para políticas de austeridade que podem ser recessivas, mas Portugal conseguiu deixar de ser comparado com a Grécia.

Repetindo um discurso já conhecido, Pedro Passos Coelho dizia na terça-feira, à chegada ao Peru, que o comportamento das exportações portuguesas "é decisivo neste período particularmente difícil" da economia nacional, "mas é também importante como estratégia de médio/longo prazo". Mais: "A economia portuguesa precisa de estar mais aberta ao exterior, os nossos produtos precisam de chegar a mais mercados, o investimento português no exterior e a atração de investimento externo são decisivos."

DISCURSO DIRECTO

"A NOTA É CLARAMENTE NEGATIVA", Bettencourt Picanço, Presidente do STE

Correio da Manhã - Como avalia o primeiro ano de Governo?

Bettencourt Picanço - A nota é claramente negativa, visto que a Administração Pública foi eleita como um alvo a abater por este Governo, sem avaliar as necessidades e os direitos dos trabalhadores.

- Que pontos de actuação destaca?

- As reduções salariais e o corte de dois salários, que espanta como ainda não foi declarado inconstitucional. Mas também o ataque desmesurado às remunerações. como se fôssemos privilegiados.

- Até ao final da legislatura, os trabalhadores acreditam na recuperação de algum direito?

- Não vemos nenhuma luz ao fundo do túnel. O que temos são declarações do primeiro--ministro que indiciam que o empobrecimento se vai manter e agravar. Com este executivo, os trabalhadores têm medo do futuro.

GOVERNO EXECUTIVO DESEMPREGO
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