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Correio da Manhã

Política
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VAI ARRISCAR A VIDA

José Lamego vai para o Iraque sem a 'bênção' do seu partido, o PS. "Vai por sua conta e risco, arriscando a vida ao serviço de Durão Barroso. É uma opção pessoal. Está no seu direito, espero que seja recompensado". Foi desta forma que Ana Gomes, membro do Secretariado do PS, comentou ao CM a nomeação do seu camarada e antigo secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros de António Guterres para o cargo de conselheiro principal para os expatriados e imigrantes na futura administração do Iraque.
11 de Outubro de 2003 às 00:00
Ana Gomes espera que Lamego seja recompensado...
Ana Gomes espera que Lamego seja recompensado... FOTO: Manuel Moura/lusa
A nomeação de Lamego foi ontem anunciada oficialmente pelo primeiro-ministro na Assembleia da República, mas o PS não só não concorda com ela como não será solidário com Lamego. Ana Gomes deixou claro que é uma candidatura pessoal, não tem nada a ver com o partido, como, de resto, o secretário- -geral, Ferro Rodrigues, já tinha deixado claro. "Portanto, não vai em representação do partido, não tem rigorosamente nada a ver com o partido nem sequer com a Internacional Socialista, como o engenheiro Guterres também já esclareceu", disse Ana Gomes.
Aliás, a dirigente do PS sublinhou que Lamego "não está a representar Portugal, mas sim o Governo português nos termos de um acordo com a administração americana, que é quem determina quem neste momento está a exercer o poder no Iraque sem que haja nenhum mandato das Nações Unidas".
Recordou que o PS não apoia nenhuma intervenção portuguesa no Iraque enquanto não existir um mandato claro da ONU. E isso aplica- -se, segundo disse, à ida de um contigente da GNR ou a qualquer pessoa individualmente ao serviço do Governo português nos termos do acordo com os EUA. "Portanto, José Lamego vai servir as forças de coligação ocupantes. Basta ver quem é que paga ao dr. José Lamego. Alguém lhe pagará. Deve ser o Governo português ou então a administração americana", considerou Ana Gomes, rematando: "A ONU não é certamente porque ele não foi colocado no âmbito da ONU. Só há um português no Iraque ao serviço da ONU e ele chama-se Ramiro Lopes da Costa".
"É O NÍVEL MAIS ELEVADO"
A notícia da sua nomeação para a futura administração do Iraque deixou Lamego naturalmente satisfeito, mas não foi propriamente uma surpresa. Na verdade, segundo declarou ontem ao CM, o ex-dirigente socialista, que está em Bucareste para participar num seminário sobre o alargamento da UE à Roménia e à Bulgária, soube anteontem da novidade através do Gabinete do Primeiro-Ministro e, também, por informações divulgadas pelo administrador americano no Iraque, Paul Bremer. Lamego destacou a importância do cargo atribuído a Portugal, uma espécie de ministro no Iraque, porque superou as expectativas: "Inicialmente só nos tínhamos candidatado a um cargo na Commission for International Coordination (CIC) e depois houve apoios para me candidatar a um lugar mais elevado, junto da Coalition Provisional Autority (CPA). É o nível mais elevado da responsabilidade" - declarou Lamego.
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