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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Ventura critica deslocação de Marcelo ao Vaticano "no meio de uma crise"

Líder do Chega afirmou que altas instâncias políticas "deviam estar a dar confiança às pessoas" e não se ausentar do país.

03 de fevereiro de 2026 às 19:52

O candidato presidencial André Ventura criticou esta terça-feira a visita do Presidente da República ao Vaticano, com o país a lidar com os efeitos do mau tempo, e a ausência de reparos aos apoios decididos pelo Governo.

"Acho que o facto do Presidente da República se ausentar do país no meio de uma crise também não é bom", afirmou, considerando que o chefe de Estado, e também o Governo, "neste momento deviam estar a dar confiança às pessoas".

De visita a mais uma exploração agrícola afetada pelo mau tempo, no concelho de Torres Vedras (distrito de Lisboa), André Ventura criticou a deslocação do Presidente da República ao Vaticano, para se encontrar com o Papa Leão XIV.

"Lembra a alguém que o Presidente da República, no meio de uma crise como a que estamos, vá para o Vaticano? Lembra alguém que no meio de um momento em que as pessoas estão a perder telhados, em que não têm comida, não têm luz, não têm eletricidade em grande parte do país, que o Presidente da República vá para o Vaticano?", questionou.

O candidato apoiado pelo Chega indicou que, se for eleito no domingo a sua primeira visita também será ao Vaticano, e disse que até gostou de ver a imagem de Marcelo Rebelo de Sousa com o novo Papa: "Acho que é uma imagem bonita, acho que nos orgulha a todos".

"Agora, não é no meio disto, não é com as pessoas a sofrer, não é com as pessoas a passar mal. Esta é a diferença, transmitir confiança às pessoas ou dar às pessoas a ideia que nada está a funcionar e que os poderes públicos não devem saber", defendeu, considerando que o Presidente da República "devia estar ao lado das pessoas" e a "acompanhar o trabalho do Governo na área da prevenção, do combate, do apoio".

O candidato e líder do Chega voltou a criticar os apoios decididos pelo Governo para ajudar as populações na reconstrução das estruturas afetadas pelo mau tempo e disse que gostaria de ter ouvido Marcelo Rebelo de Sousa a fazer o mesmo.

"A questão dos apoios, estão mal feitos, o Governo fê-los mal, o Presidente da República não os criticou e devia ter criticado. Não concebo francamente como é que o Presidente da República está em silêncio perante apoios às pessoas de 500 euros, por exemplo", afirmou nesta visita inserida na campanha oficial da segunda volta das eleições presidenciais.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, chegou no domingo a Roma, onde se jantou com o Presidente de Itália, Sergio Mattarella. Já na segunda-feira, teve a sua primeira audiência com o Papa Leão XIV, no Vaticano.

Esta foi a sexta ida de Marcelo Rebelo de Sousa como chefe de Estado ao Vaticano, o primeiro destino que visitou no início dos seus dois mandatos, onde foi recebido pelo Papa Francisco, em março de 2016 e de 2021, logo seguido de Espanha, onde também regressará esta semana.

Esta deslocação a Espanha, a convite do Rei Filipe VI, foi encurtada devido ao mau tempo e o chefe de Estado vai estar em Madrid apenas na sexta-feira, "atendendo à evolução prevista das condições meteorológicas".

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