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Ventura pede aos militantes responsabilidade e unidade em torno da sua liderança

Presidente do Chega avisou que, caso o partido se preocupe mais com a vida interna do que com o país, arrisca tornar-se secundário para os portugueses.

21 de maio de 2026 às 23:06

O presidente do Chega pediu esta quinta-feira aos militantes responsabilidade e unidade em torno da sua liderança, avisando que, caso o partido se preocupe mais com a vida interna do que com o país, arrisca tornar-se secundário para os portugueses.

"Luís Montenegro disse que sabia que havia pessoas no PSD que não concordavam com ele e, por isso, que os seus adversários saíssem da toca e viessem à luta. Eu tenho outra coisa para vos propor hoje. Eu não vos quero propor que venham à luta, eu quero vos propor que nos juntemos por Portugal nestes próximos meses", disse André Ventura na intervenção de abertura do Conselho Nacional do Chega, que decorre esta quinta-feira em Lisboa.

Falando na abertura da reunião deste órgão do partido que tem na ordem de trabalhos, entre outros temas, a calendarização do próximo congresso, Ventura pediu responsabilidade aos militantes nestes próximos meses para evitar "distúrbio de sintonia e perturbação".

"Não vos estou a pedir que desistam daquilo que são, não vos estou a pedir que abdiquem daquelas que são as vossas convicções, não vos estou a pedir que abdiquem das vossas ambições, não vos estou a pedir sequer que abdiquem das vossas aspirações internas. Estou-vos a pedir o que um líder político deve pedir quando mete o seu país primeiro", justificou.

O presidente do Chega recorreu àquele que foi um dos seus lemas nas legislativas de há um ano.

"Nas últimas eleições pedi aos portugueses uma oportunidade para poder transformar o país. Agora, hoje e no próximo Congresso, pedir-vos-ei essa oportunidade, não contra mim, mas para juntos vencermos por Portugal", apelou.

Ventura deixou ainda um aviso sobre a vida interna do Chega.

"Cada vez que um partido se perde a olhar para dentro, em vez de olhar para fora, cada vez que um líder se preocupa com questões de natureza secundária em vez da vida das pessoas, as pessoas entendem que esse partido também se tornou secundário na vida deles. Quando nós nos preocupamos mais com a nossa vida interna do que com a vida das pessoas, as pessoas começarão a pensar que talvez nós não sejamos a solução que eles querem", alertou.

Na perspetiva do presidente do Chega, "ninguém se levanta de manhã para chegar a casa à noite quer saber que deliberação vamos tomar hoje sobre o não sei quantos congresso".

"Muitas vezes perguntam-me porque é que não estamos a olhar mais para o que se passa nos Açores, na Madeira, no Algarve, no Porto, em Braga, em Viseu, em Faro, em Lisboa, onde for. E por que é que o presidente insiste tanto em falar para fora? Mas, caros, os partidos não existem para dentro", justificou.

O Conselho Nacional desta quinta-feira vai também debater a revisão e aprovação do regulamento eleitoral dos órgãos nacionais, secções regionais e secções distritais.

Segundo Ventura, "a vocação do Chega é governar Portugal" e o partido não pode "desistir dessa missão e dessa função", aproveitando este momento para retomar a ideia de baixar a idade da reforma, um tema sobre o qual assume que nem todos pensam internamento "da mesma maneira".

"Não aceitarei, digam que seja populismo ou não, que enquanto os 'Mários Centenos' se reformam aos 59 anos, os portugueses tenham que trabalhar até aos 90 e a ganhar cada vez menos. Eu não aceito isso", disse.

Para o líder do Chega, é preciso "olhar para a frente" e dizer que Portugal se quer, aproveitando para insistir na revisão constitucional.

"Para nós era confortável desistir da revisão constitucional. É preciso dois terços no parlamento. (...) Para que é que estamos a chatear-nos, a pôr o país a olhar de frente para a sua história, para a sua Constituição, quando podíamos só dizer o óbvio, aquilo que toda a gente quer ouvir. Fazer como António José Seguro, dizer aquilo que toda a gente quer ouvir, para ver se agrada a toda a gente", disse, numa crítica ao Presidente da República, para quem perdeu a segunda volta das presidenciais deste ano.

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