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Ventura questiona "onde andou" o primeiro-ministro, Montenegro diz que esteve a trabalhar

Luís Montenegro, disse esta terça-feira que esteve a trabalhar durante os últimos dias, depois de questionado pelo líder do Chega sobre ter estado em silêncio enquanto decorriam em várias cidades do país manifestações pelo direito à habitação.

27 de outubro de 2026 às 16:12

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, disse esta terça-feira que esteve a trabalhar durante os últimos dias, depois de questionado pelo líder do Chega sobre ter estado em silêncio enquanto decorriam em várias cidades do país manifestações pelo direito à habitação.

André Ventura foi o primeiro a questionar o chefe de Governo durante o debate sobre o Orçamento do Estado para o próximo ano, no Parlamento, e a primeira pergunta que colocou foi: "Onde é que andou durante todo este tempo em que o país se debatia com manifestações em muitas da suas cidades, em que polícias eram agredidos, ofendidos e o Estado de Direito era ameaçado, e o país não sabia do seu primeiro-ministro?".

O líder do Chega acusou o primeiro-ministro de "desaparecer do mapa" nos últimos dias.

"Se não está quando precisamos de si, quando é que está para defender Portugal, quando é que está para defender as instituições e a República?", questionou.

Luís Montenegro respondeu que esteve "a trabalhar" em prol do país e tem estado "estes dias todos, sem exceção, em contacto com os ministros e membros do Governo e com os serviços que são tutelados pelos membros do Governo".

"Há uns para quem trabalhar é dar entrevistas, há uns para quem trabalhar é responder a tudo o que é verdade, o que é mentira, o que é meia verdade, o que é meia mentira, há uns que consideram que o seu trabalho é estar sempre à frente das câmaras. E há ouros que têm a responsabilidade de coordenar a ação do Governo, de definir, construir e executar as políticas públicas que resolvem os problemas das pessoas", defendeu, acusando André Ventura de pertencer ao primeiro grupo e colocando-se no segundo.

O tema da habitação dominou a intervenção do presidente do Chega na abertura do debate orçamental.

André Ventura questionou Luís Montenegro se tinha conhecimento do vídeo divulgado pela PSP que mostra manifestantes a atirar objetos contra agentes nas acampadas e voltou a defender a atuação da polícia na madrugada de domingo.

O líder do Chega perguntou também ao primeiro-ministro solução é que o Governo tem para resolver a crise da habitação e afirmou que "o PS já lhe deu o caminho feito" quando anunciou que viabilizaria o orçamento na generalidade.

"Se viemos a ter daqui a alguns meses mais crise sobre a habitação, sobre as rendas e pressão sobre os bolsos das pessoas, não há só um responsável chamado Luís Montenegro, há outro chamado José Luís Carneiro, que decidiu viabilizar o orçamento sem sequer olhar para ele", criticou.

Ventura responsabilizou ainda o PS pelos problemas na habitação por ter "aberto as portas" à imigração e desafiou o secretário-geral do PS a pedir desculpa e a não "se esquecer que teve oito anos de responsabilidade", assumindo-a.

Na resposta, o primeiro-ministro disse já ter visto o vídeo divulgado pela PSP e que tem "um relato circunstanciado dos excessos, do desrespeito pela lei, do desrespeito por alguns direitos dos cidadãos e também pelo desrespeito pelo direito ao exercício da autoridade dos agentes, nomeadamente da PSP".

Montenegro adiantou que "toda essa informação será veiculada para todos os inquéritos que estão a correr para que sejam apuradas todas as circunstâncias do comportamento de cada um, responsabilizando, nomeadamente, todos aqueles que não cumpriram a lei e que têm, naturalmente, de ser penalizados por via disso".

Quando à política do Governo, o primeiro-ministro disse que o "caminho é aumentar a oferta por via do mercado de aquisição e por via do mercado de arrendamento e salvaguardar a procura, sobretudo daqueles que têm mais necessidade", a par de algumas medidas excecionais, como os apoios à compra de casa para jovens até aos 35 anos.

"Estamos a resolver o problema das pessoas e vamos continuar a resolver o problema das pessoas", salientou.

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