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Correio da Manhã

Política
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Vereadora na lista para cumprir quotas

Queriam uma mulher na lista “para cumprir as quotas” e Arrobas da Silva, candidato pelo PS à presidência da Câmara de Cascais, propôs Carla Valente de Almeida, militante socialista desconhecida dos cascaenses.
4 de Janeiro de 2007 às 00:00
Vereadora na lista para cumprir quotas
Vereadora na lista para cumprir quotas FOTO: Jorge Paula
O nome foi aceite pela Concelhia do partido, liderada por Umberto Pacheco. “Ela era do interior do concelho, freguesia de Rana, e já tinha colaborado com a autarquia, no tempo de José Luís Judas, prestando apoio jurídico ao Gabinete dos Bairros Clandestinos”, refere Pacheco, frisando ao CM que foi sem surpresa que a vereação socialista viu Carla Valente de Almeida abandonar o partido para integrar a equipa do presidente da Câmara, António Capucho.
“Mal perdemos as eleições mostrou-se surpreendida quando dissemos que o PS não aceitaria pelouros – sem pelouros não têm ordenado”, lembra Pacheco, adiantando que no Congresso do PS (em Novembro) Carla Valente de Almeida comunicou-lhe que ia abandonar o partido para aceitar pelouros. A vereadora saiu do PS e Arrobas da Silva filiou-se, tornando--se militante socialista.
Para Umberto Pacheco, quem ganhou foi António Capucho, que “conseguiu aliciar uma vereadora eleita pelo PS. E nem lhe deu grandes pelouros: as Actividades Económicas sem o Turismo e os Assuntos Jurídicos, que não são um pelouro mas sim um serviço”.
Para o PS, “isto é aborrecido, sobretudo quando fizemos um esforço para cumprir a quota”.
Agora, com pelouros, a vereadora “recebe cerca de 2500 euros por mês, tem cartão de crédito, secretária, carro, motorista a telemóvel”, sublinha Pacheco, referindo que a colega assumiu, há algum tempo, estar com “problemas profissionais e pessoais de ordem financeira”. E, por vezes, na campanha eleitoral, interrogou pessoas, ouvidas pelo CM, sobre quanto ganharia um vereador, que carro que tinha...
“Há coisas assim na política”, lamenta Umberto Pacheco, refutando que a razão do abandono sejam divergências com o partido, como evocou a vereadora. Contactada pelo CM, Carla Valente de Almeida remeteu para a Agência Lusa, a quem afirmou: “Entendo que a política se faz em consciência, com clareza e com transparência e acho que os eleitos existem para servir quem os elegeu e a política do grupo socialista não estava a permitir uma acção da minha parte que trabalhasse nesse sentido.”
PERFIL
Advogada de profissão, Maria Carla Valente de Almeida é divorciada e mãe de dois filhos. Residente em Cascais, na freguesia de S. Domingos de Rana (a que esteve ligada), é desde Dezembro vereadora independente com os pelouros dos Assuntos Jurídicos e Actividades Económicas.
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