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Correio da Manhã

Política
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Voar de Alcochete será mais caro

Os portugueses vão gastar mais para apanhar um avião em Alcochete do que na Ota, de acordo com o estudo sobre a localização do novo aeroporto de Lisboa entregue ontem ao ministro das Obras Públicas.
9 de Janeiro de 2008 às 00:00
O custo adicional, para um movimento de 25 milhões de passageiros provenientes de várias zonas do País, é da ordem dos 200 milhões de euros anuais, explicou ao CM José Reis, um dos professores da Universidade de Coimbra responsáveis pelo trabalho.
Os custos com a travessia do Tejo é uma das principais razões invocadas por este estudo – uma síntese de dois colóquios realizados com vários especialistas – para se opor à construção de um aeroporto em Alcochete. Não só porque sairá mais caro “individualmente” aos passageiros, sublinha José Reis, mas também porque implica a construção de duas novas pontes e de novas acessibilidades, rodo e ferroviárias para servir o aeroporto.
“A opção Ota tem 40 anos de estudo. Alcochete é uma opção repentina que precisa de ser desenvolvida”, sublinhou, à saída do encontro com Mário Lino, o presidente da Câmara do Cartaxo, um dos impulsionadores do trabalho entregue ontem, que contou ainda com o apoio do Centro de Estudos Sociais da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e do Conselho Empresarial do Centro.
O documento centra-se nas questões do serviço prestado pelo aeroporto, na organização territorial do País e dos custo directos e indirectos da construção daquela infra-estrutura em Alcochete.
“A construção de duas novas pontes rodoviárias não resolverá os problemas de mobilidade criados mas terá custos elevados. Os custos directos (pelo menos esses) destas obras têm de ser debitados à opção de localização a Sul do Tejo e entrarem na sua comparação com a alternativa a Norte”, lê-se no documento entregue.
A pressão urbanística é outra das razões avançadas: “O número de pessoas que serviria a Ota, comparando com Alcochete, é de uma relação de 4 para 1 (mais de 4 milhões para cerca de um milhão)”, afirmam os defensores da opção da construção na Margem Norte do Tejo, que criticam ainda o estudo da CIP.
As “estimativas de custo de construção apontadas (para Alcochete) são superficiais e parecem padecer de grande falta de rigor”. Por outro lado, se forem incluídos os custos com as acessibilidades, a diferença entre as duas opções será de apenas 500 milhões de euros, sublinha ainda José Reis.
Há que ter em conta que já existem as acessibilidades à Ota, sublinha por seu turno ao CM Manuel Porto, outro dos responsáveis pelo trabalho, recordando, por exemplo, que aquela região acolhe a principal linha ferroviária nacional.
LNEC ENTREGA ESTUDO ATÉ SEXTA-FEIRA
O estudo do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) sobre o novo aeroporto está concluído e será entregue ao Governo até sexta-feira, mas o Ministério das Obras Públicas não decidiu ainda se o documento será tornado público. “O estudo comparativo sobre a localização do novo aeroporto de Lisboa está concluído. De acordo com fonte do LNEC, os sete “factores críticos de decisão” que foram considerados pelos técnicos, que elaboraram o estudo comparativo entre a Ota e Alcochete, são: segurança, eficiência e capacidade das operações do tráfego aéreo; sustentabilidade dos recursos naturais e riscos; conservação da natureza e biodiversidade; sistema de transportes e acessibilidades; ordenamento do território e património; competitividade e desenvolvimento económico e social; e avaliação financeira. Fonte do Ministério das Obras Públicas afirmou que “não há nenhuma decisão sobre o dia da entrega do estudo” e que “ainda não se sabe se o documento vai ser divulgado”.
RADIOGRAFIA
MILITARES
O estudo lembra que um terreno do Estado não é “de graça”, pelo facto de não ter de ser pago. Terá ainda de se ver o custo de novas instalações militares.
AUTORES
Jorge Gaspar, Manuel Porto, Artur Ravara, João Cravinho, Paul Willis e José Reis foram alguns dos redactores deste estudo que defende a construção na Ota.
AMBIENTE
A salvaguarda ambiental está “gravemente em risco com uma localização entre Tejo e Sado”, para além da oposição previsível da Comissão Europeia.
SAIBA MAIS
- 34 milhões de euros é o custo total, desde 1998, dos estudos técnicos realizados para a construção do novo aeroporto de Lisboa na Ota. Desde então a despesa anual rondou em média os 2,7 milhões de euros.
- 65 milhões de euros é a verba prevista para pagar a expropriação de 1810 hectares de terrenos na Ota, necessários para a construção, a 16 proprietários.
CAMPO DE TIRO
As Forças Armadas já manifestaram total disponibilidade para abandonar o Campo de Tiro em Alcochete caso o Governo escolha este local
MENEZES
Os partidos aguardam o relatório do LNEC, mas Luís Filipe Menezes diz que o PSD é pela manutenção da Portela e construção faseada em Alcochete.
ESTUDOS
Os primeiros estudos são de 1969 e apontavam Fonte da Telha, Portela, Montijo, Alcochete, Porto Alto e Rio Frio como locais para um novo aeroporto em Lisboa
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