Porto na rua em noite de folia

Mais um ano que passa, mais um S. João que se festeja, mais uma noite sem dormir para muitos portuenses. A Invicta voltou a comemorar o santo padroeiro num clima de grande euforia e animação, onde ninguém quis ficar indiferente àquela que é a maior festa da cidade do Porto.

25 de junho de 2008 às 00:30
Porto na rua em noite de folia Foto: Sónia Caldas
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Dos miúdos aos graúdos, todos saíram à rua em espírito de grande festa e convívio, onde não faltou as habituais marteladas e o também tradicional alho-porro. Os festejos espalharam-se um pouco por toda a cidade, mas foi na Ribeira e nas Fontaínhas que se verificaram as maiores enchentes de uma noite que a chuva chegou a ameaçar, mas cedo se arrependeu.

As principais artérias da cidade rapidamente ficaram lotadas e chegar ao local da festa era quase um acto heróico. Por entre empurrões e atalhos, todos queriam arranjar o melhor lugar para ver o esperado fogo-de-artifício. Com a cerveja numa mão e o martelo na outra, as 12 badaladas da meia- -noite levaram todos os olhares para o céu. "Foi um dos mais bonitos a que assisti", disse Mafalda Morais.

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E se o fogo-de-artifíciol eva a grandes ajuntamentos na Ribeira e nas proximidades do rio Douro, a verdade é que mal ele acaba, a festa volta a espalhar-se por toda a cidade, e só termina ao nascer do sol.

O S. João continua noite adentro, sempre com muito convívio. As luzes do dia marcam o fim da noite e repete-se a frase da ordem: "Para o ano há mais..."

"FOI UM DOS DIAS MAIS FELIZES DA MINHA VIDA"

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"Ó meu rico S. João/Não me dês este desgosto/De eu lançar um balão/E ter de pagar imposto". Foi esta a quadra que deu o título de vencedora a Maria Ferreira Alves, de 63 anos. Apesar de não fazer quadras com regularidade, os versos que imagina na sua cabeça foram suficientes para levar de vencida o concurso promovido pelo CM e pela Rádio Festival.

A vencedora não cabia em si de contente. "Foi um dos dias mais felizes da minha vida", contou ao CM, sem esconder a satisfação. Apesar de não saber ler nem escrever, Maria Alves imaginou a quadra e pediu à sua família adoptiva para a escrever. Levou para casa 500 euros em compras Continente.

O segundo lugar foi conquistado por Maria Rosa Ferreira, que vai doar o seu prémio (200 euros em compras) ao Instituto Profissional do Terço, no Porto. A fechar o pódio ficou Ricardo Barros.

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O júri da prova foi composto por Alberto Rocha, director da Rádio Festival; padre José Maia, colunista CM; Diana Basto, cantora; Hernâni Gonçalves, comentador de televisão; e Secundino Cunha, editor Norte do CM. Todos tiveram a árdua tarefa de escolher um vencedor de entre tantos participantes.

ANTÓNIO COSTA FOI CONVIDADO DE HONRA

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, foi o convidado de honra da noite de S. João. A convite de Rui Rio, o autarca lisbonense assistiu, "pela primeira vez", à noite mais longa do Porto. A boa disposição marcou o encontro entre os munícipes das duas maiores cidades do País, que aproveitaram para passar o

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S. João em pleno rio Douro, a bordo de uma embarcação utilizada no turismo fluvial. Figuras ligadas à capital do Norte, como Valentim Loureiro ou Pacheco Pereira, também marcaram presença no evento.

Recorde-se que António Costa tinha convidado Rui Rio para assistir ao desfile das Marchas Populares de St.º António e agora foi a vez do autarca portuense retribuir o gesto.

CM DISTRIBUIU REVISTA DE S. JOÃO

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O CM também se juntou à festa e celebrou o S. João com um suplemento especial. A revista, que foi distribuída na avenida dos Aliados, continha 790 quadras, que foram a concurso, em parceria com a Rádio Festival. Imaginação e a ironia foram os ingredientes principais de uma iniciativa que teve grande receptividade por parte do público portuense.

FRASES

"DESDE QUE HAJA MÚSICA, ESTÁ TUDO BEM", Marila Rodrigues (Porto)

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"Sou brasileira, mas vivo no Porto há oito ano. Gosto tanto do País que tenho dupla nacionalidade. Desde que estou a morar em Portugal que venho ao S. João, uma festa que não encontro em mais lado nenhum. A noite parece que começou um bocado mal por causa da chuva, mas isso para mim não é problema. Desde que haja música e eu possa dançar, está tudo bem para mim. Promete ser até às tantas."

"O MELHOR DO S. JOÃO É O CONVÍVIO", Marília Alves (Porto)

Festejo todos os anos o S. João e não há festa melhor do que esta. Adoro isto, porque há muito convívio e as pessoas dão-se todas muito bem. Acho que a chuva não vai estragar a festa, porque até é tradição que caia uma orvalhada. Seja uma noite de chuva ou de bom tempo para mim é igual porque saio na mesma de casa. Mas, apesar de ser uma festa de que eu gosto muito, não conto os dias para que ela se repita. O melhor de tudo é mesmo o convívio."

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"S. JOÃO É MELHOR DO QUE O ST.º ANTÓNIO", António Barreira e Maria José ( Lisboa)

Vimos quase todos os anos ao S. João, porque é uma festa única. Ainda é melhor do que o St.º António em Lisboa. Lá, o principal são as marchas e ninguém sai muito à rua. Aqui no Porto as pessoas saem todas à rua e a festa é muito maior. Gostamos mesmo muito de cá vir."

NOTAS

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RIBEIRA: FOGO-DE-ARTIFÍCIO

O ponto alto da noite de S. João teve lugar na Ribeira, à meia-noite em ponto. Milhares de pessoas assistiram ao fogo-de-artifício, que durou 23 minutos e que teve música a acompanhar

MARTELOS: TRADIÇÃO CUMPRE-SE

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Falar em S. João é falar numa série de tradições que marcam presença todos os anos na festa popular. O som típico das marteladas repete-se noite adentro e ninguém leva a mal

V.N. GAIA: INCÊNDIO

Os Sapadores de Gaia registaram nos festejos de S. João dois pequenos focos de incêndio, que, segundo a corporação, "terão começado devido aos balões lançados por populares"

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