Gangs em guerra
O rapaz que atingiu a tiro um jovem à porta da Escola Secundária Gil Vicente, na Graça, em Lisboa, é conhecido na zona. “Costuma parar junto do liceu. Dizem que rouba os miúdos”, conta uma moradora escusando identificar-se.
“É que nunca se sabe. Com estes gangs armados, o melhor é não nos metermos.”
O rapaz, de 19 anos, disparou, anteontem, um tiro contra um jovem, de 20 anos, atingindo-o na parte inferior da face. O primeiro foi detido e o segundo transportado pelo INEM (Instituto de Emergência Médica) ao Hospital de S. José, onde ficou internado.
Moradores na Graça conhecem ‘de vista’ o primeiro, mas nunca viram o segundo. Ambos, referem, pertencerão a gangs rivais.
“Fala-se de um ajuste de contas”, sublinham, garantindo que o tiro foi disparado à queima-roupa, à porta do café Plastik, na Rua da Verónica, local que o agressor frequentava.
Segundo adiantou ao CM fonte da PSP, a arma, uma 6.35, além de estar ilegal foi alterada.
Os moradores garantem ainda que o agressor “vinha com os amigos para roubar” e, segundo o que ouviram, já teria “assaltado um amigo da vítima”, facto que pensam estar na origem da ‘visita’ do jovem atingido, que “trouxesse também os amigos dele”.
Levou os amigos e um cão cuja raça os moradores, ouvidos pelo CM, não souberam especificar.
Após o disparo, que terá desfeito o maxilar inferior do jovem de 20 anos, os seus amigos desarmaram o agressor e atacaram-no, espancando-o, até à chegada da PSP, que terá sido alertada pela escola.
“Eles têm uma linha directa para a polícia”, referem os moradores, alguns dos quais têm ou tiveram filhos a estudar na Gil Vicente.
O agressor, que segundo os moradores residirá em Chelas, foi detido pela PSP, 11.ª esquadra (Penha de França) e já foi presente a um juiz.
A vítima, que residirá em Alfama, está internada no Hospital de S. José, livre de perigo, e já foi submetida a uma intervenção cirúrgica ao maxilar.
“Mas, pelo que já me disseram, deverá ficar com algumas marcas, como cicatrizes”, adiantou ao CM o proprietário do café Plastik, onde o jovem, depois de atingindo, se tentou refugiar do agressor.
ROUBOS
Moradores no bairro da Graça garantem que os roubos e assaltos aumentaram na zona desde que a Câmara de Lisboa encerrou ao trânsito o bairro de Alfama. “Isto agora é um barril de pólvora.”
MEDO
Dizem ter medo, sentimento que leva moradores e comerciantes na zona a tomarem algumas precauções, como saírem em grupos. “Ou até irmos buscar as mulheres para elas não subirem sozinhas esta rua [Verónica]. A polícia? Passam por aí dois agentes à entrada e saída dos miúdos da escola.”
GRUPOS
Sentados nos passeios, nas bermas dos estabelecimentos e entradas de prédios, ou encostados às viaturas estacionadas na Rua da Verónica, “eles passam aí o dia e a noite sem fazer nada. Ameaçam e levam o dinheiro e os telemóveis..."
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