Fogos e seca provocam cenário de destruição em Vale de Cambra
Cinzas depositadas no fundo do rio entupiram a barragem. Peixes não sobreviveram.
As cinzas provocadas pelos incêndios, o calor e a chuva que tarda em chegar tornaram a vista de quem olha para a Barragem Engenheiro Duarte Pacheco, em Vale de Cambra, assustadora.
"Mas não é só pelo calor. À revelia de toda a gente, a barragem foi aberta de forma irresponsável", relatou ao CM Filipe Aguiar, vice-presidente do Clube de Caça e Pesca Terras de Cambra. A abertura das comportas empurrou os animais e a cinza depositada no fundo da barragem para a passagem da água, entupindo a circulação. Todos os peixes morreram e o rio praticamente não existe.
A cota da água da barragem começou a baixar gradualmente em maio. "Houve um problema no sistema, e a barragem continuou a vazar porque tem uma avaria, mas a cota que tinha ainda chegava para os peixes sobreviverem", acrescentou Filipe Aguiar.
Os responsáveis pela gestão da infraestrutura - a Associação de Regantes e Beneficiários de Burgães - entenderam, este fim de semana, abrir completamente as comportas. "Isto é um estado de calamidade. Não restou um ser vivo nesta água, nem a montante, nem a jusante", relatou.
O Correio da Manhã tentou contactar o responsável pela associação que gere a barragem, sem sucesso. A GNR recebeu uma denúncia e esteve no local, através do Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente. "Fotografaram e vão avaliar e acompanhar", contou Filipe.
A Barragem Engenheiro Duarte Pacheco fica no rio Caima e existe desde 1940. É um dos principais pontos de turismo do concelho e, muitas vezes, é utilizada para a prática de desportos aquáticos.
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