Bala antes do clássico arrisca cegar adepto
Jorge Forte foi apanhado em confrontos com a PSP quando ia assistir ao FC Porto-Benfica.
Jorge Forte descia com dois amigos a alameda das Antas, no dia 1, para ver o FC Porto-Benfica, quando dezenas de elementos passaram a correr em direção a adeptos benfiquistas, na avenida Fernão de Magalhães. Seguiram-se confrontos e disparos. "Olhei para trás, levei um tiro e caí inconsciente", diz ao CM o empresário, de 51 anos, que foi atingido no olho direito.
Tem um projétil esférico de 9 mm – calibre de guerra que só é permitido às forças de segurança – na órbita ocular e corre o risco de ficar cego.
"O meu amigo sangrava e estava agarrado ao olho, dizendo que estava cego", contou José António Barbosa, um dos amigos de Jorge, também atingido, num braço e num pé. As vítimas já apresentaram queixa no Ministério Público. Não conseguem precisar se o projétil foi disparado por agentes que controlavam os confrontos ou por algum dos intervenientes.
O socorro não foi imediato. "Um polícia de mota disse para nos dirigirmos à ambulância mais próxima. Liguei para o 112 e perguntavam-me se precisava de um médico e como tinha ocorrido a situação, mas eu tinha um amigo baleado que precisava de socorro imediato", indicou José António Barbosa.
"O INEM demorou 10 minutos a deslocar-se para o hospital [São João], dizendo que tinha que cumprir o protocolo médico", acrescentou Jorge Forte.
O empresário está agora revoltado e preocupado com o seu futuro. "Não sei o que me vai acontecer e as sequelas com que vou ficar", lamenta ao CM.
A PSP diz ao CM que não tem registo de qualquer queixa ou denúncia relativa a este caso.
PORMENORES
Futebol violento
"Tem que haver mão pesada. As pessoas têm que poder ir ao futebol de forma harmoniosa. E o exemplo tem que vir de cima. Há dirigentes incendiários", afirmou Jorge Forte ao CM, indignado.
Projétil alojado
O projétil arredondado com cerca de 9 mm, de acordo com o relatório do TAC, está alojado nas células etmoidais, junto ao nervo ótico. Está a ser estudada a possível remoção através do nariz.
Empresário
Jorge Forte vive no Porto e tem cinco empresas. É dirigente da Câmara de Comércio Portugal-República Dominicana e do Fórum Ibero-Americano. "Nunca mais serei o mesmo", confidenciou.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt