GNR falsificava multas e desviava dinheiro
Ministério Público de Portimão pediu condenação do militar de 45 anos de idade.
O militar, de 45 anos, está acusado de 76 crimes, entre peculato (36), falsificação (38), corrupção passiva (um) e abuso de poder (um). Está agora a ser julgado, no Tribunal de Portimão, onde ouviu o Ministério Público (MP) pedir a sua condenação. A sentença vai ser proferida dia 25 de junho.
De acordo com o MP, os factos ocorreram entre outubro de 2015 e março de 2018, quando o militar, guarda principal, estava colocado em Lagos. O arguido ficava com parte do dinheiro das multas que passava a condutores, sobretudo turistas. Para não ser detetado, sustentou o MP, "falsificou os respetivos autos de contraordenação".
O arguido está atualmente suspenso, tendo o MP requerido que lhe fosse aplicada a pena acessória de proibição de funções. Foi detido em junho de 2018 pela Polícia Judiciária de Portimão, que o estava a investigar. Colocava-se num cruzamento para detetar infrações de condutores - como falar ao telemóvel ou não usar cinto de segurança. Depois cobrava as coimas mas registava-as como sendo por estacionamento indevido, cujo valor é inferior. Como as vítimas eram maioritariamente estrangeiras, conseguia que assinassem os autos e falsificava as cópias.
PORMENORES
Investigação
Segundo a Polícia Judiciária, o objetivo do arguido era ficar com a diferença do valor das coimas. A investigação começou em 2015 e contou com a colaboração da GNR de Portimão. O militar foi denunciado pelos próprios colegas da GNR.
Trabalhava sozinho
O facto de o militar querer trabalhar sempre sozinho e por atuar no mesmo local despertou suspeitas sobre a forma como desempenhava funções. As vítimas eram sobretudo estrangeiros que iam para a praia da Luz. O arguido evidenciava ainda sinais de riqueza.
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