PSP em protesto vira costas a António Costa
500 membros do Movimento Zero ignoraram primeiro-ministro e Eduardo Cabrita.
Cerca de 500 simpatizantes do Movimento Zero, que apela à greve de zelo e nasceu nas bases da PSP e GNR pela "falta de apoio sentida" após a condenação, em maio, de 8 polícias por agressões a moradores da Cova da Moura, viraram esta sexta-feira costas à tribuna onde estavam o primeiro-ministro, António Costa, e o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita.
Fizeram-no assim que o diretor nacional da PSP Luís Farinha iniciou o seu discurso na comemoração dos 152 anos da instituição.
Na primeira demonstração pública do grupo, que terá agora 11 662 aderentes declarados (segundo os próprios), os manifestantes abandonaram mesmo o recinto quando Eduardo Cabrita começou a discursar.
O protesto foi preparado nas redes sociais, com participantes de todo o País que chegaram à praça do Império, Lisboa, em autocarros. O compromisso passou pela não exibição de tarjas políticas ou sindicais e de não darem entrevistas.
Depois de se fazerem ouvir com uma entoação do hino nacional, os aderentes do Movimento Zero esperaram pelo início do discurso de Luís Farinha. Mal o líder da PSP começou a falar, viraram costas e vestiram t-shirts brancas e pretas com o símbolo do movimento. Na debandada do local, fizeram, com as mãos, o símbolo do Zero.
Eduardo Cabrita reagiu ao protesto, assegurando que estava ali para elogiar a PSP "que se está a aproximar das populações, e a quem nenhum governo, nem nenhum polícia virará as costas".
O ministro da Administração Interna disse ainda que "não há espaço para o racismo e a xenofobia na PSP", prometendo "defesa dos direitos dos polícias agredidos".
Luís Farinha, por seu turno, pediu "condições para que os polícias desempenhem o seu trabalho", contestando ainda as recentes decisões judiciais, "que desvalorizam crimes praticados contra os polícias".
PORMENORES
Camião-cisterna
A novidade do desfile da PSP foi um camião-cisterna. Irá abastecer viaturas da polícia e ser usado em apoio à sociedade civil quando necessário (como greves de motoristas).
69% das detenções
Luís Farinha revelou que esta polícia fez 152 operações por dia em 2018 e foi responsável por 69% das detenções.
Governo em silêncio
Tanto o primeiro-ministro, António Costa, que presidiu à cerimónia, como o ministro Eduardo Cabrita, se recusaram a falar aos jornalistas.
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