Jovem apanha 16 anos de cadeia por matar irmã de Djaló

Ex-futebolista vai ainda receber 80 mil euros de indemnização.

22 de janeiro de 2020 às 08:38
Abel Fragoso foi condenado a 16 anos e a indemnizar irmãos da vítima Foto: Direitos Reservados
Açucena Tchuda tinha 17 anos e não estava relacionada com a rixa que levou ao atropelamento Foto: Direitos Reservados
Yannick Djaló, ex-futebolista de Sporting e Benfica, é irmão de Açucena Foto: Pedro Ferreira
Carro conduzido pelo condenado nas Festas da Moita Foto: Direitos Reservados

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O Tribunal de Almada condenou esta terça-feira a 16 anos de prisão o homem que atropelou mortalmente Açucena Tchuda, irmã do futebolista Yannick Djaló, a 15 de setembro de 2018, nas Festas da Moita, quando se tentava vingar de uma agressão.

Djaló, cuja irmã, de 17 anos, foi vítima inocente, vai receber 80 mil euros. Pedia 170 mil euros de indemnização mas os juízes fixaram a compensação em 125 mil, a dividir pelo jogador e por um irmão. Mas, por enquanto, apenas Djaló poderá receber já que foi o único a constituir-se assistente.

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A presidente do coletivo de juízes, Carla Roque, considerou que aquele foi um momento de devaneio na vida de Abel Fragoso, condutor que atropelou mortalmente Açucena: "Tinha 21 anos e provavelmente a idade está ligada à impulsividade." O facto de não ter ficha criminal e de estar integrado na sociedade foram atenuantes. "Se fosse hoje tenho a certeza de que o arguido não pegaria naquele carro e que Açucena estaria viva", disse.

Ainda assim, para o coletivo, o ato foi altamente condenável. "Queria limpar a honra depois de ter sido agredido por outros jovens. Ceifou a vida de alguém com 17 anos com um futuro promissor e que estava calma a divertir-se com as amigas. Privou a vítima de se apaixonar, de casar, de ter filhos e de gozar a vida em família", afirmou a juíza Carla Roque.

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Abel Fragoso foi absolvido de cinco crimes de homicídio qualificado na forma tentada, por alegadamente ter tentado atropelar mortalmente cinco militares da GNR nas Festas da Moita. O tribunal não deu ainda como provada a velocidade a que o arguido seguia.

O homem foi condenado pelo homicídio qualificado de Açucena Tchuda, 11 crimes de homicídio qualificado na forma tentada (pelos ferimentos a amigos da jovem) e um crime de condução perigosa. O coletivo de juízes considerou que o jovem agiu motivado pela vingança.

PORMENORES

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Sofrimento

O tribunal de Almada validou o sofrimento de Djaló com a perda da irmã. "Ficou provado que o assistente era como um pai para Açucena, o sofrimento profundo e a mudança que a morte representou na vida do assistente", disse a juíza.

Defesa vai recorrer

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Pedro Madureira, advogado de Abel Fragoso, disse que "a pena é desajustada, manifestamente excessiva e naturalmente vai haver recurso". Admitiu que Abel Fragoso e a mãe ficaram arrasados. "A Justiça não é obrigatoriamente feita com a aplicação de uma pena grande", disse.

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