Padre António Teixeira acusado do desvio de esmolas e de arte sacra
Segunda sessão do julgamento marcada por depoimento de pároco que denunciou ilícitos que atingem os 420 mil euros.
A segunda sessão do julgamento do padre António Teixeira, acusado pelo Ministério Público, de atos ilícitos num valor de 420 mil euros referentes a desvio de esmolas e fiéis e de arte sacra, ficou marcada pelo depoimento do padre José Manuel Almeida, que revelou ter encontrado em Campo de Ourique (Lisboa) a "casa paroquial esvaziada".
O pároco José Pereira Almeida foi quem, denunciou o desaparecimento das peças de arte após ouvir queixas de fiéis na igreja de Santo Condestável, em Campo de Ourique.
O desaparecimento foi denunciado depois de António Teixeira ter pedido para deixar a referida paróquia.
Em janeiro de 2017, o padre da paróquia vizinha de Santa Isabel assumiu, então, a administração de Santo Condestável e efetuou as denúncias junto da Polícia Judiciária em março do mesmo ano.
Perante o coletivo de juízes presidido por Helena Leitão, José Pereira Almeida, respondeu que o padre acusado dinamizou a paróquia e que à sua saída, Santo Condestável "tinhas as contas numa situação confortável".
Na primeira sessão do julgamento, a 15 de setembro último, foram ouvidos vários inspetores da Polícia judiciária, cuja investigação conduzir à acusação.
Um inspetor-chefe da Polícia judiciária revelou, em tribunal, que o Mercedes do padre foi apreendido na casa de um irmão, na Costa de Caparica (Almada).
A igreja de Santo Condestável guarda os restos mortais de Nuno Alvares Pereira, santo da Igreja Católica, por decisão de Bento XVI.
O padre António Teixeira é acusado pelo Ministério Público de um crime de furto qualificado, dois de abuso de confiança e um de branqueamento de capitais.
A acusação sustenta que terá usado o dinheiro desviado num esquema de compra e venda de carros. Entre 2011 e 2017 foi proprietário de 19 veículos.
À data da apreensão do Mercedes, seria proprietário de mais dois veículos, segundo o depoimento do inspetor-chefe da PJ em tribunal.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt