Antigos paraquedistas revoltados: “Não admitimos fim da tradição”
Ministro da Defesa e chefe do Exército foram apupados devido às novas regras para a cerimónia.
O protesto foi motivado pelo impedimento das tropas especializadas, como os paraquedistas e os comandos, de entoarem os cânticos e marcharem segundo as tradições próprias de cada uma. Assim, durante a parada militar, pela primeira vez em décadas, não se ouviram os versos “Ó Pátria mim, por ti dou a vida / Há sempre alguém que não te quer perdida”, o que gerou contestação.“Somos a favor da evolução das tropas. Podem modernizar tudo menos mexer nas nossas tradições, nas tradições das tropas especiais, quer sejam paraquedistas, comandos ou fuzileiros. Não admitimos que isso venha a acontecer e por isso é que estamos aqui, unidos”, disse ao CM um dos ex-paraquedistas. “O Chefe do Estado-Maior do Exército quer acabar com a boina dos paraquedistas [verde], mas isso não vai acontecer porque a boina não foi dada, foi ganha com suor, sangue e lágrimas”, argumentou outro dos manifestantes.Durante toda a cerimónia, principalmente durante os discursos protocolares, os ex-militares entoaram o hino ‘Pátria Mãe’ várias vezes, com insultos à mistura e pedido de “demissão”. Questionada pelo Correio da Manhã, a relações-públicas do Exército, Tenente-Coronel Ana Silva, recusou comentar os protestos dos ex-paraquedistas.No final das cerimónias do Dia do Exército, cerca de duas dezenas de manifestantes rodearam João Cravinho e Nunes da Fonseca. Os dois responsáveis acabaram por sair do perímetro da parada escoltados por elementos da Polícia do Exército. A PSP de Aveiro identificou quatro dos manifestantes.
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