Empresário nega corrupção com queijo e estadias em hotel em Penafiel
Empresário diz que nunca viu “mal nenhum” nas ofertas que fez à então secretária do Ministério da Economia, que é também acusada.
"Nunca lhe pedi nada", "não me fez favor nenhum", repetiu esta sexta-feira o empresário Gumercindo Lourenço, de 72 anos, no Tribunal de Coimbra, onde é julgado por corromper uma funcionária pública que exerceu funções de secretária de diferentes ministros e secretários de Estado da Economia. O arguido, dono de hotéis e termas, está acusado de oferecer queijos da serra e estadias numa unidade hoteleira em Penafiel em troca da "simplificação e agilização" de procedimentos administrativos relacionados com o seu grupo empresarial.
Gumercindo Lourenço garantiu que nunca viu "mal nenhum" nas ofertas, negando que fossem contrapartidas por ser beneficiado. "Era uma questão de respeito e educação", justificou, ao acrescentar que a arguida apenas tinha o cuidado de lhe explicar as situações. "Não sei onde foram buscar o mal", insistiu. Teresa Saraiva, de 65 anos, está acusada de corrupção passiva, mas optou por ficar em silêncio no tribunal.
O despacho refere que a arguida, a pedido do empresário, chegou a oferecer queijos a Pedro Gonçalves, então secretário de Estado da Inovação, Investimento e Competitividade, que recusou. No processo, investigado pela Polícia Judiciária do Centro, estão em causa quatro crimes de corrupção praticados entre 2014 e 2019.
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