MP pede pena de prisão entre 6 e 7 anos para Ricardo Salgado e não inferior a 9 anos para Manuel Pinho

"Manuel Pinho recebeu 500 mil euros após chegar ao governo e 15 mil euros mensais quando já era ministro", refere o procurador do Ministério Público.

06 de maio de 2024 às 10:51
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O Ministério Público (MP) pediu, esta segunda-feira, uma pena não inferior a nove anos de prisão para o ex-ministro da Economia Manuel Pinho no julgamento do caso EDP, no qual responde em tribunal por corrupção passiva, fraude e branqueamento.

"O que é relevante do nosso ponto de vista nestes crimes: a censura criminal. Não são crimes de impulso, são crimes ponderados. Neste caso é relevante uma pena que tem de garantir a censurabilidade e que o crime não compensa", afirmou o procurador Rui Batista, no final das alegações finais no julgamento no Juízo Central Criminal de Lisboa.

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Para o procurador, "uma pena final não inferior a nove anos de prisão será adequada à censura dos crimes".

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Manuel Pinho, em prisão domiciliária desde dezembro de 2021, está a ser julgado no caso EDP por corrupção passiva para ato ilícito, corrupção passiva, branqueamento e fraude fiscal.

Para o antigo presidente do Banco Espírito Santo (BES), Ricardo Salgado, o MP pediu seis a sete anos de pena de prisão efetiva, enquanto para a mulher do ex-governante, Alexandra Pinho, foi defendida a aplicação de uma pena de quatro anos, suspensa na execução.

Durante cerca de quatro horas, o magistrado do MP recuperou os argumentos da acusação e passou em revista a prova produzida ao longo de cerca de sete meses de julgamento, considerando ter ficado provada a existência de um "acordo corruptivo" entre Ricardo Salgado e Manuel Pinho para que este último atuasse em defesa dos interesses do Grupo Espírito Santo (GES) enquanto estivesse no exercício de funções públicas.

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"Manuel Pinho recebeu 500 mil após chegar ao governo e 15 mil euros mensais quando já era ministro. Está provado o acordo entre Manuel Pinho e Ricardo Salgado", afirmou Rui Batista, que considera que o pacto de corrupção ficou provado em julgamento.

"Se Ricardo Salgado era ou não o DDT (Dono Disto Tudo) não interessa ao MP, o que interessa é que ele [Salgado] foi dono da relação com Manuel Pinho. Tudo foi tratado por Ricardo Salgado. As transferências para o Manuel Pinho foram ordenadas por Ricardo Salgado", sustentou o procurador.

Para Alexandra Pinho, mulher de Manuel Pinho, foram pedidos quatro anos de prisão com pena suspensa. Alexandra Pinho, responde por branqueamento e fraude fiscal - em coautoria material com o marido -, enquanto o ex-presidente do BES, Ricardo Salgado, responde por corrupção ativa para ato ilícito, corrupção ativa e branqueamento.

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O advogado do ex-presidente do Banco Espírito Santo (BES) Ricardo Salgado pediu também esta segunda-feira a realização de uma nova perícia ao ex-banqueiro, visando a suspensão de uma eventual pena no julgamento do Caso EDP, mas o tribunal adiou a decisão.

Antes do arranque das alegações finais do Ministério Público (MP), Francisco Proença de Carvalho relembrou que já foi realizada uma perícia neurológica no âmbito deste processo e que apontou para o diagnóstico de Doença de Alzheimer do arguido.

"O tribunal já tem elementos suficientes para declarar a suspensão da pena", referiu o mandatário de Ricardo Salgado, que, "por cautela", acabou por pedir a realização de nova perícia para aferir o grau da doença, com vista a travar o cumprimento de uma eventual pena de prisão efetiva que seja aplicada neste julgamento.

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O coletivo de juízes pediu cinco minutos para deliberar e interrompeu a sessão, mas bastou um minuto para voltar à sala de audiência e comunicar que tal só será analisado depois da decisão: "Essa matéria apenas será apreciada em termos de execução da pena caso venha a ser condenado".

Ricardo Salgado já foi alvo de perícias neurológicas no final do ano passado, que confirmaram a existência de doença neurológica do ex-banqueiro.

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