Mário Machado só poderá sair em liberdade a partir de meio de 2027
Tribunal aplicou um cúmulo jurídico de 4 anos de cadeia ao cabecilha neonazi. Liberdade condicional adiada.
Só a meio de 2027, na melhor das hipóteses, é que o cabecilha neonazi Mário Machado poderá aspirar a pedir liberdade condicional. O chefe da extrema-direita ficou esta sexta-feira a saber, pelo juiz Vítor Teixeira de Sousa, no Campus de Justiça, em Lisboa, que terá de cumprir um cúmulo jurídico de 4 anos de prisão efetivos. José Manuel Castro, advogado de Mário Machado, disse ao CM que vai recorrer desta decisão judicial para o Tribunal da Relação de Lisboa.
O cabecilha do Grupo 1143, grupo de extrema-direita desmantelada esta semana pela Unidade Nacional de Contraterrorismo da Polícia Judiciária (PJ), estava, até aqui, a cumprir uma pena de 2 anos e 10 meses na prisão de Alcoentre. Foi condenado por discriminação e incitamento ao ódio e violência. A juntar a esta pena, surgem agora mais 3 anos de prisão, suspensos, igualmente por incitamento ao ódio e violência contra um jovem negro suspeito de homicídio junto a uma discoteca algarvia.
O juiz Vitor Teixeira de Sousa considerou que os 4 anos de cúmulo que aplicou são os mais adequados "tendo em conta um trajeto da prática de crimes graves, e um acentuar do incitamento ao ódio". Assim, após trânsito em julgado, e caso a pena se mantenha intacta, competirá a um juiz do Tribunal de Execução de Penas a tarefa de definir os prazos de aplicação da mesma. "Ele estava com esperança de sair em condicional da pena atual no máximo daqui a seis meses. Assim, antes do decorrer do próximo ano, isso não irá acontecer", explicou José Manuel Castro.
Arguido no processo 'Irmandade', onde é considerado pelo Ministério Público como o cabecilha do Grupo 1143 (mesmo a partir da cadeia de Alcoentre), Mário Machado não terá medidas de coação aplicadas agora, visto ser recluso. No entanto, revelou o advogado, "pode ser chamado a depor, eventualmente na próxima semana, no âmbito do inquérito, ou a um juiz ou ao Ministério Público (MP)".
Entretanto, os 37 detidos da operação 'Irmandade' estavam esta sexta-feiras, no Campus de Justiça, em Lisboa, a aguardar medidas de coação. O MP pediu prisão preventiva para oito suspeitos considerados cabecilhas do grupo.
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