250 barcos protestam na Arrábida
A organização prometera um protesto de 400 barcos mas foram menos, cerca de 250, as embarcações de recreio e pesca que ontem desfilaram ao largo do Portinho da Arrábida, vindos de Setúbal e Sesimbra.
É o terceiro protesto desde que, em 2005, foi criado o Plano de Ordenamento do Parque Natural da Arrábida (POPNA), que impôs restrições à navegação e pesca no Parque Marinho Professor Luiz Saldanha. Os presidentes das câmaras de Setúbal, Maria das Dores Meira, e de Sesimbra, Augusto Pólvora, juntaram-se ao desfile e exigiram a revisão urgente do POPNA.
"O Parque não está a ser aproveitado e a actividade turística está a ser altamente prejudicada, quando até temos aqui pedreiras e cimenteiras. Sabemos que há abertura do Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade para rever as proibições mais fundamentalistas", disse a edil de Setúbal, defendendo "uma revisão do plano rápida e em que todos sejam ouvidos".
Ao seu lado, a deputada do PCP, Paula Santos, lembrou a necessidade de "preservar formas de pesca tradicional" com vista à "candidatura da Arrábida a património mundial". Augusto Pólvora lembrou que com a proibição da pesca comercial de linha e rede a menos de 450 metros da costa, a vida dos pescadores complicou-se ainda mais.
"Tem havido aumento de barcos de pesca mais pequenos para abate", disse. Questionado sobre a falta de mais barcos de pescadores no protesto (a grande maioria foram embarcações de recreio), o edil de Sesimbra afirmou: "Em 2006, vieram muitos mas foram alvo de coimas da Polícia Marítima e agora são menos."
Eugénio Martins, administrador de uma empresa de venda de embarcações, teme pelo emprego das 170 pessoas de Setúbal ligadas à náutica de recreio. "As pessoas vendem os barcos, dá-se um efeito em cadeia e todos os negócios perdem", avisa.
A proibição de fundear a menos de 450 metros na zona do Portinho da Arrábida é uma das medidas mais contestadas. Mas há também quem questione a proibição de caça submarina. "Somos perseguidos pela polícia. Há dias passei ao lado de uma bóia e tive de pagar 250 euros", acusa a empresária Isabel Santos, 62 anos, enquanto dirigia o seu barco.
FERNANDO NEGRÃO VAI LEVAR ASSUNTO AO PARLAMENTO
Fernando Negrão esteve no desfile numa embarcação do Clube Naval de Sesimbra. O deputado do PSD eleito por Setúbal vai levar o assunto à Assembleia da República. "Este plano de ordenamento é meramente proibitivo, não regulador", disse ao CM, acrescentando: "Vou ter uma conversa com os responsáveis do Parque Natural da Arrábida e vou trabalhar num projecto de resolução que recomende ao Governo a alteração à lei".
DISCURSO DIRECTO
"PESSOAS SÃO AMBIENTE", Lino Correia, Presidente do Clube Naval de Sesimbra
– Qual o objectivo do protesto?
– Chamar a atenção do Governo para este plano de ordenamento, feito contra as pessoas e que impõe restrições absurdas. As pessoas também fazem parte do ambiente.
– Um exemplo de uma restrição absurda...
– A proibição de embarcações de mais de 8 metros virem ao Portinho da Arrábida é absurda para uma área que é candidata a património mundial.
– Mas o objectivo é proteger a natureza.
– Nós também queremos a continuação do Parque Marinho. Passaram cinco anos sobre a criação do plano de ordenamento e a avaliação é negativa. Há que mudar.
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