394 pessoas esperaram mais de 40 anos para denunciar violência doméstica
Associação Portuguesa de Apoio à Vítima apoiou 43110 vítimas nos últimos 4 anos. 80,6% foram mulheres e 17% crianças.
A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) apoiou 43110 vítimas de violência doméstica entre 2021 e 2024 (11993 tiveram ajuda no ano passado). Do total, 394 (apenas 1,7% do total), esperaram 40 ou mais anos até denunciarem à APAV o terror por que passavam.
Este é, de resto, um dado destacado pela APAV. Cerca de 23 mil vítimas apoiadas no período em causa, viviam agressões prolongadas, com 6686 a demorarem entre 2 a 6 anos a denunciar as situações.
Dois dos mais recentes casos públicos de violência doméstica ocorreram nos últimos dias. A PSP do Seixal prendeu, em flagrante, um homem de 54 anos, por agressões à mãe idosa. Os agentes verificaram "que a vítima era coagida a dar dinheiro ao suspeito, e em simultâneo sofria de abusos físicos e psíquicos". Suspeito de 2 crimes agravados de violência doméstica, um de coação, e outro de injúrias, o detido apresentava uma taxa de álcoolemia de 1,92 g/l. Presente a tribunal, ficou em prisão preventiva.
Um imigrante chinês de 40 anos, entretanto, foi preso pela Divisão da PSP de Loures, por dois crimes de violência doméstica agravado. O Ministério Público considerou-o suspeito de agressões aos próprios filhos. Presente a tribunal, ficou sujeito a apresentações, proibição de contactos com as vítimas, e suspensão dos poderes paternais.
A APAV, segundo informação ontem divulgada publicamente, explicou que a maioria das pessoas apoiadas (34730) foram mulheres. Os homens foram apenas 7715, mas o número de vítimas do sexo masculino que procuraram a APAV para denúncia e apoio subiu 65,4% face a 2021. Do sexo masculino, também, são 70,5% dos agressores.
O intervalo de idades entre os 26 e os 55 anos foi o mais apoiado (44,5% do total), enquanto crianças e jovens (17%), e idosos (10,9%), foram também ajudados. Das pessoas auxiliadas pela APAV, 34,2% não apresentaram queixas judiciais.
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