À DESCOBERTA DOS PONTOS DE PRAZER

E se em vez de um ponto G, aquele famoso local difícil de encontrar, que permite que as mulheres atinjam o prazer sexual e que se tornou, para muitos, motivo de busca incessante, se descobrisse que, afinal, há mais três? É isso que Desmond Morris, zoólogo briânico conhecido pelo ‘best-seller’, ‘O Macaco Nu’, afirma no seu mais recente trabalho.

03 de outubro de 2004 às 00:00
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O novo livro, ‘The Naked Woman’ (em português ‘A Mulher Nua’), que se debruça com particular pormenor sobre o sexo feminino, dá conta da existência, para além do G, de um ponto U, C e A, zonas consideradas supersensíveis, situadas no interior da vagina.

A descoberta resulta do que pretende ser uma análise exaustiva do corpo da mulher, com capítulos organizados de acordo com as partes da anatomia feminina. E para além de falar sobre os cabelos, os olhos ou a boca, um deles contempla os genitais. Em entrevista ao jornal britânico ‘Metro’, o cientista contrariou aqueles que afirmam que o ponto G é o equivalente ao pénis. “Corresponde, sim, à ponta do pénis. No interior da vagina existem várias zonas que aumentam de sensibilidade e respondem ao estímulo sexual.”

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José Pacheco, sexólogo, acrescenta que “algures na parede interna da vagina, alguns autores dizem existir este ponto sensível, que permite o orgasmo. Mas não há qualquer evidência científica que comprove a sua existência”. E quanto ao facto de Desmond Morris afirmar ter descoberto outros pontos, este especialista é da opinião que “todo o corpo é reactivo em termos sexuais. A sexualidade é muito complexa e todos os órgãos estão implicados na interacção sexual, incluíndo a mente”.

Catarina Mexia, psicóloga clínica, considera que a apregoada descoberta do zoólogo, assim como qualquer outro tipo de informações desta natureza, pode atrapalhar, mais do que ajudar aqueles que têm problemas. “É uma informação boa para quem está bem com a sua sexualidade, já que permite fazer mais explorações. Mas nos que não estão, cria-se a necessidade desenfreada de procurar. E se não conseguem encontrar esse ponto, as pessoas nem se sentem normais”, afirma.

SOLUÇÃO À VISTA

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Com ou sem ponto G, José Pacheco acredita que está para breve a chegada de um medicamento capaz de ajudar a resolver os problemas sexuais que milhões de mulheres em todo o Mundo têm que enfrentar.

No entanto, o sexólogo esclarece que é preciso perceber que os medicamentos não alteram a sexualidade. “O ‘Viagra’ tem o efeito excitador, mas não tem interferência ao nível do desejo sexual. Como já referi, a sexualidade é algo muito complexo, mas essa complexidade é necessária. No dia em que bastar carregar num botão para se conseguir prazer, as pessoas vão achar muito maçador.”

Para além do ponto G, Morris pretende dar ainda resposta a uma série de questões relacionadas com o sexo feminino. Por exemplo, porque é que as mulheres têm medo de aranhas, porque é que os homens preferem as louras, ou porque motivo a maioria das senhoras, ao contrário dos cavalheiros, têm cabelos compridos. Uma leitura que ainda não tem data marcada para chegar a Portugal.

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FACTOS E NÚMEROS SOBRE A DISFUNÇÃO SEXUAL FEMININA E MASCULINA

PONTO G

Foi um sexólogo alemão, Ernst Grafenberg que, nos anos 50, identificou o ponto G, que acabou por ser baptizado com uma das iniciais do seu nome. De acordo com este especialista, as mulheres teriam um ponto sensível dentro da vagina, a cerca de três a cinco centímetros da abertura, que o clínico afirmava ser um ponto de prazer para as mulheres quando estimulado. No entanto, nem todas conseguem atingir o orgasmo a partir dele.

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DISFUNÇÃO SEXUAL

Estudos globais realizados nos EUA revelam que, naquele país, 40 por cento das mulheres sofrem de disfunções sexuais. A ausência de desejo sexual é o que mais atinge as mulheres, mas não existem muitos trabalhos sobre a disfunção sexual feminina, que apenas começou a ser estudada recentemente. Em Portugal, desconhecem-se os números, mas os especialistas acreditam que existam muitas mulheres com este problema.

HOMENS TAMBÉM SOFREM

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Só em Portugal, cerca de 500 mil homens sofrem de disfunção eréctil e muitos são os que não procuram ajuda médica. Com a chegada do ‘Viagra’, um medicamento que facilita a erecção e funcionou como uma revolução na Medicina, muita coisa mudou. É que, antes dele, as terapias existentes eram dolorosas e pouco eficazes. Muitas vezes, não ofereciam a solução para os problemas que afectam milhões de homens em todo o Mundo.

FRIGIDEZ

A frigidez, denominada como disfunção sexual feminina ou alteração da função sexual, principalmente do desejo, deve-se muitas vezes, segundo os especialistas, a bloqueios totais ou parciais da resposta fisiológica e psicológica. Entre as causas desta última encontram-se as questões sócio-culturais, factores religiosos, tabus, assim como as vivências sexuais destrutivas ou as experiências traumáticas, entre outras.

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