A FESTA DA PADROEIRA
A muralha da baía de Cascais esteve ontem à tarde ‘emoldurada’ por mais de um milhar de pessoas, que dali assistiram à partida e ao regresso do cortejo das embarcações que, transportando nove imagens, prolongou no mar, até S. José da Guia, a procissão em honra de Nossa Senhora dos Navegantes.
Antes, o cortejo iniciado na capela da padroeira dos pescadores passara na Igreja Matriz da vila, para a partir daí integrar, transportada num coche, a berlinda procissional de Nossa Senhora do Cabo (Espichel), que visita Cascais de 26 em 26 anos, e o Santo Lenho, que seguia debaixo do pálio, tal como o prior de Cascais, padre Raúl Cardoso. Logo à frente seguiam o presidente da Câmara, António Capucho, e D. Duarte Pio de Bragança, e respectivas mulheres.
“Desde que me conheço que participo nesta procissão. E enquanto tiver vida e saúde vou continuar a colaborar na decoração dos andores e fazer tudo para que esta bonita tradição se mantenha” assegurou ao CM Matilde Firmino, uma varina de 59 anos que, garbosamente, e acompanhada de três bisnetos, transportava o estandarte da Casa dos Pescadores de Cascais.
“Veja bem a quantidade de pessoas que estão aqui para cumprir promessas ou por devoção, ou só mesmo para apreciarem” sublinhou Matilde Firmino que, no entanto, teme pelo futuro daquele que é considerado um dos pontos mais altos das Festas do Mar em Cascais a nível cultural e etnográfico: “A mocidade, já se sabe, deixa morrer tudo. E se isto acabar é pena, porque é muito bonito”.
Ao fim da tarde realizou-se uma eucaristia solene na Igreja Matriz, sendo o ofertório entregue, por vontade do povo, para o Tesouro dos Círios de Nossa Senhora do Cabo.
As Festas do Mar terminam amanhã com um concerto de Gal Costa e a exibição de fogo--de-artifício.
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