“A Justiça está muito próxima do colapso”
Fernando Jorge, Pres. Sindicato dos Funcionários Judiciais, fala sobre o debate quanto a um novo estatuto da carreira
Correio da Manhã – O Sindicato dos Funcionários Judiciais promoveu hoje [ontem] a conferência ‘Sindicalismo Judiciário’. Quais as vossas principais preocupações?
Fernando Jorge – A mais importante é a dignificação da carreira, que está acima de qualquer reivindicação salarial, através da revisão do estatuto sócio-profissional, cuja negociação se arrasta à demasiado tempo, e esperamos que o Ministério da Justiça dê uma resposta às alterações que apresentámos. Defendemos que os funcionários judiciais não devem ser promovidos pelo compadrio, mas sim por uma avaliação de desempenho que contemple o mérito e o valor pessoal.
– E quais são essas alterações?
– Um sistema de formação permanente, para que estejamos actualizados das constantes alterações processuais. Defendemos ainda o descongelamento das contratações. Há 1500 funcionários em falta. Se, pelo menos, fossem contratados 500, já melhoravam muito as condições de trabalho, assim como melhor equipamento.
– As alterações ao Processo Penal também vos atingem?
– Para nós não é prioritário, mas é incontornável que sejamos abrangidos. Para assuntos administrativos dependemos da Direcção-Geral da Administração da Justiça. Para desempenho do Conselho Superior da Magistratura.
– Como é que se poderia resolver essa dualidade?
– Um órgão comum que regule os tribunais, que poderia ser um Conselho Superior de Justiça com secções para juízes, procuradores e oficiais de Justiça.
– Como classifica o actual estado da Justiça?
– Muito preocupante. A Justiça em Portugal está muito próxima do colapso. Por falta de capacidade para responder às necessidades da sociedade actual e pela descredibilização, feita por todos, principalmente pelo poder político.
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