À PROCURA DE KASA NOVA

A Polícia Municipal de Lisboa entrou às 7h00 na “Kasa Enkantada” da Praça de Espanha, edifício ocupado desde 1996 por jovens que se reclamam do veganismo e da filosofia libertária. Cerca de 20 “okupas” dormiam ainda, distribuídos por um espaço descrito como “cheio de lixo e garrafas de vodka”.

28 de agosto de 2002 às 21:43
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Os jovens não ofereceram resistência à ordem de abandono do imóvel e às 11h00 só restavam destroços da “kasa”. A autarquia executara a anunciada demolição. Quanto aos “okupas”, asseguram que voltarão a ocupar. “Há por aí muita casa abandonada...”

Os jovens entraram uma última vez na “kasa” antes de o camartelo avançar para que - um a um - retirassem alguns pertences. Quase nada: uma espécie de corneta e um aro metálico. Sempre de capuz enfiado na cabeça e recusando a identificação, disseram pretender procurar outro espaço desocupado onde desenvolver as suas actividades.

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Admitindo não saber bem a que movimento estão ligados os frequentadores da ex-”Kasa Enkantada” - “creio que são anarcas ou libertários, querem estar fora do sistema “ -a vereadora da Habitação Social da Câmara Municipal de Lisboa (CML), disse ao CM terem sido “única e exclusivamente” questões ligadas à segurança do imóvel, propriedade da autarquia, a ditar a demolição. “O telhado estava seguro com barrotes e se acontecesse algum acidente a responsabilidade era da câmara”, afirmou Helena Lopes da Costa, notando que não fica bem à edilidade fazer excepção dos imóveis devolutos que lhe pertencem se obriga os privados a demolir ou recuperar.

A CML ofereceu aos jovens um espaço com cinco divisões na Zona J de Chelas para ali sediarem as actividades culturais que diziam realizar na “kasa”, mas eles recusaram, argumentando que faltava centralidade ao imóvel cedido, não comparável com a Praça de Espanha.

De resto, a cedência obrigá-los-ia a constituírem-se como associação juvenil e a protocolar com a Câmara Municipal de Lisboa, o que não parece compatível com o modo de vida “okupa”, como são chamados em Espanha, onde existem várias ‘kasas’, ou “squatters”, em língua inglesa. Uns e outros afirmam-se empenhados em preencher os espaços vazios de um sistema que enjeitam e a dar-lhes conteúdo próprio.

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