A PSP espancou-me
Fábio Barros, de 21 anos, tem a cara, as costas e as pernas cobertas de hematomas. Na madrugada de sábado, saiu para se divertir na discoteca Bauhaus, no Monte do Estoril, Cascais, mas estava longe de imaginar que iria regressar a casa naquele estado. Fábio diz que foi assaltado na casa de banho da discoteca e, minutos depois, espancado por elementos da Equipa de Intervenção Rápida da PSP de Cascais – entretanto chamada ao local na sequência de desordens entre clientes. A polícia diz que agiu de forma “proporcional”.
Fábio trabalha com o pai na construção civil. São ladrilhadores. Garantiu ontem ao CM que foi abordado por dois homens na casa de banho da discoteca: um agarrou-o por trás, enquanto o outro lhe roubou os fios e os anéis de ouro e a carteira com todos os documentos.
“Imediatamente depois do roubo, fui perguntar ao segurança da discoteca se podia fechar a porta e ajudar- -me a identificar os suspeitos”, recorda Fábio. O segurança propôs-lhe que se mantivesse à entrada do estabelecimento para ver quem saía. Ele assim o fez, com a namorada e duas amigas.
O que se passou a seguir é reconstituído por Fábio com a ajuda da namorada. “Estava à porta da discoteca a queixar-me ao gerente, quando levei uma pancada na cabeça e desmaiei”, disse. Quando recuperou os sentidos, tinha uma ambulância do INEM à sua espera, mas “como não deixaram” a sua namorada acompanhá-lo ele recusou assistência médica.
Enquanto Fábio se recusava a entrar na ambulância, no interior da discoteca estalou a desordem entre clientes. Os responsáveis da discoteca chamaram a PSP, que se viu obrigada a pedir reforços. “De repente, começou tudo à pancada. A polícia chegou e partiu logo para a violência. Eu apanhei por tabela. Algemaram-me, enfiaram-me dentro da carrinha e levaram-me”, disse.
Fábio foi deixado no Bairro Cruz Vermelha, em Alcabideche, onde mora o pai. “Fui o caminho a levar pancada”, disse ao CM, enquanto exibe fotos do corpo marcado.
“Ele foi agredido pela polícia. Se a PSP já o tivesse encontrado naquele estado, levava-o ao hospital”, diz o pai, Carlos Barros, que promete levar o caso até às últimas consequências. “Já apresentei queixa na PSP, mas amanhã [hoje] vou directamente ao Ministério Público, acompanhado por um advogado”. Carlos Barros está revoltado com o estado em que encontrou o filho. “Estava caído no chão, sem conseguir andar. Fui eu que o levei ao hospital”, disse. “Se ele tivesse feito algum mal, a polícia levava-o para a esquadra e não para o bairro”.
O CM tentou obter um esclarecimento por parte da gerência da Bauhaus, mas sem êxito.
O QUE DIZ A POLÍCIA
“Houve uma desordem no interior da discoteca e foi deslocado um carro-patrulha da PSP ao local, pelas 06h30”, disse ao CM o comandante operacional da Divisão da PSP de Cascais, comissário Antunes. “A patrulha viu que não tinha capacidade para resolver a situação e pediu reforços à Equipa de Intervenção Rápida”, disse.
O que se passou a seguir, afirma, poderá ser confirmado pelas imagens captadas através de videovigilância. “Havia um jovem mais exaltado, não se sabe porquê, e outro ferido, que transportámos ao hospital”, disse. “O que estava exaltado apresentou queixa contra alguns polícias. Mas a PSP cumpriu o seu papel e usou a força dentro de uma medida proporcional”, disse.
O comissário disse ainda que na discoteca Bauhaus se reúnem moradores de bairros problemáticos, o que tem gerado alguns distúrbios no interior do estabelecimento.
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