“Acabou o inferno”
"Ganhámos uma alma nova , ao fim de uma vida de escravidão que durou tantos anos". Manuel do Santos Rézio, de 57 anos, e a mulher, Maria de Fátima, de 43, ainda não conseguem acreditar que estão mesmo livres: conseguiram fugir dos ‘patrões’, ao fim de 20 anos de escravatura.
O casal aproveitou a ausência dos ‘patrões’ devido às festas de Alfândega da Fé e conseguiram fugir. "Não aguentávamos mais. Ele estava sempre a vigiar tudo o que fazíamos. Nunca estávamos sozinhos, nem podíamos falar", referiu Maria de Fátima recordando-se de como tudo começou. "Fomos trabalhar para a Quinta do Zimbro (Vale da Vilariça). Depois é que ele nos levou para Valverde e aí é que começou o inferno. Fui obrigada a ir trabalhar para a zona de Logroño (Espanha) para a vindima, poda e apanha de fruta e nunca recebi dinheiro nenhum. E foi sempre sem o meu marido. Felizmente tudo acabou", acrescentou.
Durante o jantar, Manuel e Maria de Fátima eram sempre humilhados. "Comíamos à mesa mas sempre mal. Muitas vezes ele dizia que era pecado desperdiçar comida connosco. Às vezes até atirava o comer à nossa cara", afiançou Manuel.
Após a fuga, o casal foi acolhido na casa de uma familiar. Agora esperam que os sequestradores, que ficaram em liberdade após serem presentes a um juiz, paguem pelo que fizeram.
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