Acusada de burlar em 188 mil euros diz em tribunal: "Assumo o que fiz. Nunca cometi um crime sem estar drogada"
Arguida, de 43 anos, julgada por burlas de 188 mil euros. Foram identificadas 81 vítimas desde 2019.
Uma mulher, de 43 anos, acusada de cometer burlas de 188 mil euros através de cartões de crédito Wizink, Universo e Unibanco assumiu esta quarta-feira no Tribunal de São João Novo, no Porto, que cometeu parte dos crimes que constam da acusação.
“Eu estou aqui para assumir o que fiz, alguns factos são verdade, outros não e outros não me lembro. Os crimes foram cometidos numa época em que tinha consumos elevados de droga. Nunca cometi um crime sem estar drogada porque tinha medo. Se consumisse já não tinha medo, tudo o que sentia, o medo, o pânico, isso desaparecia”, começa por dizer Alexandra B., que explica quais os crimes em que não esteve envolvida. “Aqueles que não cometi são os casos onde existiu furto de cartões em veículos ou residências, os cartões nunca estiveram nas minhas mãos”, alega.
As burlas começaram no final de 2019 e duraram até ao ano passado. Foram identificadas 81 vítimas de norte a sul e seis empresas lesadas. A arguida está acusada de um total de 246 crimes e está a ser julgada com mais oito arguidos, entre os quais estão os pais da suspeita, a irmã e uma prima.
“Quero pedir perdão por os meter num processo desta dimensão. Eles não sabiam, eu pedi para deixarem fazer transferências para as contas deles e eles deixaram. A minha mãe, o meu pai, a minha irmã e o meu primo não sabiam. Estão aqui sem ter culpa, eu dizia que não queria pagar impostos. Eu enganei-os, enganei-os a todos com mentiras”, garante a arguida, que está presa e que prestou depoimento sempre a chorar.
O processo revela que a arguida teve acesso a bases de dados de empresas de telecomunicações, onde constavam informações privadas de clientes e através do número de contribuinte percebeu quem tinha cartões de crédito. Depois passou a uma outra fase do plano. Com os dados que tinha pediu segundas vias dos cartões de telemóvel das vítimas, o que lhe permitiu depois alterar os códigos de acesso das contas de ‘homebanking’ associadas aos cartões de crédito.
Em outras situações, a suspeita também ligava às vítimas e dizia ser funcionária das entidades gestoras de crédito. Como sabia todos os dados pessoais, conseguia convencer as pessoas a darem os acessos às contas online. Nessa altura alterava os contactos, para onde depois eram enviados códigos de segurança, e passava a ter controlo total do dinheiro disponível no cartão de crédito. No julgamento, a arguida assumiu que o ex-companheiro, um antigo funcionário de uma empresa de telecomunicações e um terceiro homem a ajudaram no esquema.
“Gostaria de ter oportunidade de dizer que estou muito arrependida, uma pessoa com droga não sente, tenho consciência de que posso ter enganado pessoas que ficaram sem dinheiro para pagarem a comida dos filhos, ou que só tinham a reforma. Eu não tenho um tostão para lhes pagar, mas queria pedir desculpa a todos os ofendidos”, afirmou.
Nesta audiência foi ainda ouvido um cúmplice da arguida, que assumiu que começou a participar no esquema desde 2020 e que também lucrava com o esquema. "Participei na medida em que quando se tratavam de contas de homens era eu que ligava parar alterar o número. Beneficiei para consumos, na altura era muita droga. Consumia heroína e cocaína", descreveu Duarte Nuno, que garante que a família da arguida estava envolvida. "A Alexandra diz que a família não sabia, mas não é verdade. O pai, a mãe e a prima pelo menos tinham conhecimento. A mãe recebia dinheiro que eu ia lá entregar", garantiu.
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