Advogada nomeada há duas semanas por José Sócrates renuncia à defesa

A advogada tinha pedido cinco meses para avaliar o processo, pedido que lhe foi negado pelo tribunal.

Atualizado a 24 de fevereiro de 2026 às 12:48
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A advogada de José Sócrates pediu renúncia à representação do antigo primeiro-ministro na sessão de julgamento desta terça-feira.

A advogada tinha pedido cinco meses para avaliar o processo, pedido que lhe foi negado pelo tribunal. Sara Leitão Moreira justificou a decisão com o facto de não lhe ter sido dado tempo suficiente pelo tribunal para preparar a defesa do chefe de Governo entre 2005 e 2011.

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A decisão de renúncia de Sara Leitão Moreira teve por base a não-pronúncia do tribunal em relação ao modo de subida e efeito de um recurso apresentado na segunda-feira e que pedia um parecer da Relação de Lisboa.

À saída do tribunal, a ex-advogada de Sócrates reafirmou que, sem tempo para consultar a "monstruosidade" do processo da Operação Marquês, não tem condições para representar o arguido.

Acredito na justiça e naquilo que faço. A única coisa que posso fazer é usar as armas que tenho para fazer o meu trabalho. Se não me deixam fazer o meu trabalho, não estou aqui a fazer nada", disse a advogada.

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"Vou-me retirar, não sou uma figurante", rematou.

Na sequência da renúncia, o tribunal ordenou a nomeação de um advogado oficioso para que o julgamento prossiga, tendo o julgamento sido suspenso até que este seja chamado.

O tribunal ordenou que a Ordem dos Advogados seja notificada para nomear um defensor para José Sócrates, para fazer face às renúncias sucessivas de mandatários do antigo primeiro-ministro.

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"Uma vez que a situação de renúncias sucessivas ao mandato por parte da mesma defesa prejudica de sobremaneira a realização da justiça, a fim de assegurar a continuidade da audiência sem mais sobressaltos, entende-se justificar-se a nomeação de defensor especificamente para os presentes autos pelo tempo necessário, para garantir os direitos de defesa [de José Sócrates]", sustentou a presidente do coletivo de juízes, Susana Seca.

Não há data para a retoma do julgamento.

Em atualização

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