Correio da Manhã

Advogada nega burla a empresário mas assume 'acerto de contas' com tio do cliente
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No ano passado foram retiradas de circulação, 15.841 notas contrafeitas, em Portugal, com destaque para a nota de 50 euros, que foi a mais apreendida
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14:34
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Queixoso disse que, no total, entregou mais de 180 mil euros à advogada de Barcelos.

Uma advogada de Barcelos acusada de burlar um cliente em mais de 180 mil euros afirmou quarta-feira, em tribunal, que não deve nada ao queixoso, admitindo apenas que tem "contas a acertar" com um tio do mesmo.

"Dos montantes entregues pelo senhor Dias [empresário queixoso], foi tudo consumido em despesas judiciárias e adiantamentos de honorários", referiu a arguida, no Tribunal de Braga, no início do julgamento, em que responde por burla qualificada, abuso de confiança e falsificação de documento

Ema Magalhães dos Santos admitiu que tem "contas a acertar" com um tio do queixoso, relativas a três cheques no valor total de 150 mil euros.

O queixoso, um empresário da restauração, disse que, no total, entregou mais de 180 mil euros à advogada.

Explicou que, por não ter dinheiro, pediu ajuda a um tio, que providenciou os 150 mil euros.

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Nos primeiros contactos com a advogada, esta ter-lhe-á pedido 17.500 euros para uma alegada perícia a uns documentos alegadamente falsificados.

"[A arguida] disse-me que a perícia custava 20 mil euros mas, como eu apenas tinha 17.500, que me emprestava o resto", contou o queixoso.

A arguida não assumiu o recebimento desta quantia.

"Pelas quantias que recebi, passei o respectivo recibo", afirmou.

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O queixoso acrescentou que a advogada foi-lhe sempre pedindo novas quantias para tratar dos processos, designadamente 50 mil euros para uma caução e mais 100 mil euros para reforçar a mesma caução.

Caução que, adiantou o empresário, nunca foi prestada, tendo o dinheiro ido parar à conta pessoal da advogada.

"Estava sempre a pedir-me dinheiro, dizia que eu estava em risco de perder todo o meu património e eu, na minha boa-fé, fui dando. Enrolou-me quanto pôde, dizia que metia processos e não metia, que pagava dívidas às Finanças e não pagava, fiquei com a vida arruinada", referiu.

Em 2016, Ema Santos foi julgada, também no Tribunal de Braga, por burla a um casal de Barcelos, no valor de 238 mil euros.

Antes da leitura do acórdão, a arguida pagou a dívida e o casal desistiu da queixa, pelo que o tribunal declarou extinta a responsabilidade criminal da arguida.

O Ministério Público tinha pedido cinco anos de prisão, com pena suspensa, e a juíza presidente do coletivo lembrou que foi dado como provado que a arguida praticou o crime de burla e que "incorria numa pena bastante elevada, obrigatoriamente de prisão, que poderia ser suspensa ou não".

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Esse processo fez "soar os alarmes" junto do empresário queixoso no caso que quarta-feira começou a ser julgado, que desistiu dos serviços de Ema Santos e procurou outro advogado.

"Nunca mais lá fui [ao escritório de Ema Santos] , não gosto de criar confusões, quando a comida não serve põe-se na beira do prato", afirmou o empresário.

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