Agentes treinam operações de risco
Os agentes policiais seguem a bordo de um potente BMW e perseguem um Audi TT, usado por um grupo de criminosos que tentam fugir às autoridades. Quatro homens, armados e encapuzados, param atrás do Audi, e saem rapidamente do interior do BMW, de arma em riste, ao mesmo tempo que gritam ordens.
A operação é rápida, no espaço de três minutos os suspeitos são dominados. Os agentes investigam o interior do veículo. Não há sinal de perigo e o alvo é dado como “Limpo!”.
Este foi um dos exercícios que agentes de várias forças de segurança portuguesas puseram em prática durante o curso ministrado ontem pelo Centro Avançado em Técnicas de Imobilizações (CATI) na Serra da Arrábida.
Neste curso pago por agentes e por instituições das forças de segurança, estiveram presentes formandos da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), GNR, PSP e Polícia Judiciária.
O CM assistiu a três operações distintas. A primeira foi uma abordagem a um carro suspeito, que envolveu o BMW e o Audi.
Seguiu-se um simulacro de regaste de reféns e, por fim, foi treinada uma operação de mandado de busca a uma habitação.
O resgate de um refém uma das operações mais sensíveis. Patrick O´Quinn, ex-comandante do departamento policial de Belmont, nos Estados Unidos e franco-atirador do Exército americano na Guerra do Vietname faz o briefing do exercício, que termina com uma frase forte: “Aqui não treinamos assassinos, treinamos agentes de polícia. A operação é um sucesso absoluto quando não disparamos um único tiro” .
Segundos depois, ouve-se um grande estrondo. Os formandos entram cuidadosamente no interior do forte, sobem ao 1.º andar e partem rapidamente na direcção do refém, ouvem-se gritos e explosões. A operação é um sucesso – os agentes não dispararam sobre nenhum suspeito e resgataram os reféns.
A última operação teve como objectivo simular um mandado de busca a uma habitação. Os agentes entram e saem em 30 segundos. Mais treino bem sucedido – o corredor da entrada de uma moradia, é um verdadeiro túmulo. Este é o espaço onde morrem mais polícias. O importante aqui é os agentes agirem como um todo, quer durante a entrada, quer no interior” avançou ao CM, Marcos do Val, Presidente do CATI internacional Police.
BRASILEIROS ENSINAM PELO MUNDO
O Centro Avançado em Técnicas de Imobilizações (CATI) é uma empresa brasileira, especializada em operações corpo-a-corpo das forças de segurança.
Foi fundada em 1999 por Marcos do Val. A empresa nasceu com o intuito de realizar treinos ofensivos, para preparar as forças de segurança de uma forma eficaz para actuar nas mais diversas situações de risco.
Em Portugal nasceu o CATIeurope, uma filial que tem dois portugueses na liderança. Marina Guerreiro como presidente e Fernando Fernandes como director-geral.
O CATI tem livre acesso às equipas da SWAT e D.E.A, forças de segurança norte-americanas.
VIOLÊNCIA POLICIAL (Marcos do Val, Presidente do CATI)
Correio da Manhã:O CATI tenta contribuir para a diminuição da violência policial?
Marcos do Val – Sim, tentamos fazer com que isso aconteça. A nossa prioridade é sempre a de preservar a vida humana. Isso é o mais importante.
- Situação social do Brasil obriga a uma polícia ‘musculada’?
– No Brasil vivemos situações de alto risco. Nas favelas do Rio de Janeiro só se pode matar ou ser morto.
– A violência é comum a todo o território brasileiro?
– Não podemos ver este tipo de violência como um todo. Existe o Rio de Janeiro e depois existe o resto do Brasil. Há grandes diferenças.
45 000 é o número de polícias que o CATI treinou só no Brasil. Nos Estados Unidos e por todo o Mundo onde o CATI realiza os seus cursos, o número ascende aos 80 mil agentes formados.
20 é o número máximo de alunos permitidos num curso da CATI. A SWAT acredita que 20, é um número que permite maximizar a aprendizagem dos formandos.
Special Weapons and Tactics - força especial da polícia americana que actua em situações de alto risco. Os formadores do CATI têm uma larga experiência de colaboração com a SWAT.
TREINOS
Não se treinam assassinos, treinam-se agentes. A prioridade das forças de segurança é a segurança dos reféns.
DANOS COLATERAIS
É um dos pilares de qualquer intervenção das forças de segurança. Minimizar a perda de vidas humanas é sempre uma prioridade.
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