Alcoutim procura conter subida do rio com barreira de sacos de areia
Presidente do município algarvio afirmou que já há alguns problemas causados pela subida do rio no que respeita a bens, mas não há registo de pessoas afetadas.
O nível do rio Guadiana continua a subir e a Câmara de Alcoutim está a colocar sacos de areia para tentar impedir que a água chegue às ruas da localidade, disse esta quarta-feira o presidente.
Paulo Paulino contou à agência Lusa que a água já "tapou" um estabelecimento comercial em Guerreiros do Rio, situado na margem do Guadiana, a sul da sede de concelho, e a praia fluvial também já está coberta, embora ambos se encontrem nas zonas mais baixas das respetivas localidades.
"O bar já está tapado, a praia fluvial está tapada, aqui em Alcoutim também continua a aumentar o nível de água. Já vamos construir aqui umas barreiras para evitar que a água avance para dentro da vila e para tentar salvar alguns bens do supermercado e os bares que aqui estão", relatou o autarca.
O presidente do município algarvio afirmou que já há alguns problemas causados pela subida do rio no que respeita a bens, mas não há registo de pessoas afetadas.
"Já há aqui alguns problemas, mas todos a ver com bens, ao nível de pessoas ainda não se verifica nenhum problema", indicou, esclarecendo que ainda não há casas afetadas.
O autarca espera agora que as barreiras que estão a ser colocadas com sacos de areia na zona mais baixa da localidade de Alcoutim permitam conter a água que desce pelo rio e cujo nível tem estado a subir devido às descargas efetuadas nas barragens de Alqueva e Pedrógão, a montante de Alcoutim.
A Câmara de Alcoutim já tinha alertado esta quarta-feira os navegantes e as populações da margem do rio para o "aumento drástico" dos caudais do Guadiana, devido às descargas em barragens para libertar água da chuva caída nos últimos dias e horas.
O alerta foi dado depois de a capitania de Vila Real de Santo António ter feito uma "comunicação urgente" a apelar à população ribeirinha dos municípios do Baixo Guadiana (Mértola, no distrito de Beja, e Alcoutim, Castro Marim e Vila Real de Santo António, todos no distrito de Faro) para adotar medidas de proteção "imediatas" de pessoas, animais e bens.
A maré alta registou-se cerca das 16:30 e a próxima está prevista para cerca das 04:30, períodos que são considerados de "risco máximo", segundo o alerta lançado às populações.
Entre as medidas de proteção aconselhadas estão o reforço de amarrações, com a verificação e duplicação das espias das embarcações e a confirmação de que as bombas e sistemas de esgotamento estão operacionais e têm baterias carregadas, indicou.
A navegação está interditada e as autoridades marítimas pediram para se evitar saídas com embarcações, porque "a força da corrente e os detritos submersos (troncos/objetos pesados) podem causar naufrágios ou danos graves", justificou.
Nas zonas ribeirinhas deve-se proceder à retirada de equipamentos ou bens de zonas baixas sujeitas a inundação, evitar a aproximação de pessoas a cais ou margens durante o pico da maré, porque a "força da água é imprevisível", avisou também o município.
A precipitação causada pela passagem da depressão Leonardo, que está a afetar Portugal continental, e a água armazenada depois das chuvas provocadas pela depressão Kristin, que atravessou o território português na semana passada, estão a fazer com que as barragens de Alqueva e de Pedrógão façam descargas, aumentando o nível do rio Guadiana e o risco de inundação, que permanecerá nas próximas horas em função da previsão de chuva intensa que é feita até, pelo menos, quinta-feira.
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