Aldeia Verde minimiza impactos da barragem
Associação recém-criada pretende transformar aldeias desertificadas em territórios sustentáveis.
Dizem que se o sonho não assusta é porque não é grande o suficiente." Vânia Seixas explica desta forma a origem da recém-nascida associação que coordena, a Aldeia Verde, que pretende transformar Parambos - freguesia que inclui os lugares de Misquel, S. Pedro e Venda Nova -, em Carrazeda de Ansiães, num território sustentável, a partir dos recursos endógenos e da aposta na educação ambiental, sem esquecer as tradições regionais.
"Temos a barragem de Foz Tua aos pés, que nos levou muitos terrenos, e ainda não sabemos quais os impactos que vai ter. Há cada vez mais áreas desflorestadas. Queremos plantar nesses locais espécies autóctones, como sobreiros, que são resistentes aos fogos", afirmou Vânia Seixas ao Correio da Manhã. E as mudanças no território não se ficam pela paisagem. "No outro dia, em dois quilómetros, vi três raposas mortas no IC5. Temos avistado aves que não são comuns. Assim, estamos a devolver uma casa aos animais porque estão a ter de se adaptar às mudanças", diz a coordenadora da Aldeia Verde.
A nova associação já foi apresentada aos 200 habitantes que restam naquelas aldeias de Parambos e a receção tem sido positiva. "As pessoas têm-se oferecido para ajudar", indica a responsável.
O turismo é outro foco para atrair pessoas ao território. Há a pretensão de reconstruir moinhos de água, agora abandonados, bem como os antigos fornos de secar figos, típicos daquela zona. "As pessoas não querem ver o que há em todo o lado", sustenta Vânia Seixas, que espera que este projeto-piloto seja replicado por toda a região de Trás-os-Montes.
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