Oficiais da Força Aérea detidos por corrupção

Mais de 30 militares suspeitos em megaoperação da Unidade Nacional de Combate à Corrupção da PJ e da PJ Militar.

03 de novembro de 2016 às 10:12
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Mais de trinta militares da Força Aérea, entre os quais pelo menos seis oficiais e sargentos detidos, todos sob suspeita de corrupção, são esta manhã os alvos de uma megaoperação conjunta da Unidade Nacional de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária e da PJ Militar, apurou o CM. A operação é denominada 'Operação Zeus'. Entre os detidos estão dois capitães, um dos quais colocado no Estado Maior da Força Aérea, um major e três sargentos.

Em causa, nas 180 buscas e detenções ordenadas pelo DIAP de Lisboa, que decorrem no Estado Maior da Força Aérea, em Alfragide, e de norte a sul em bases aéreas, noutras unidades militares, em empresas e nas residências dos visados, está um esquema criminoso que passa, anualmente, pelo desvio de fortunas do Estado destinadas a gastos com alimentação nas várias unidades da Força Aérea.

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O esquema de corrupção passa pelo inflacionar dos valores de faturação por parte das empresas fornecedoras de todo o tipo de alimentos - com os empresários do setor a distribuírem depois todo o dinheiro em excedente, sob a forma de luvas, pelos militares que tinham responsabilidade de zelar pela boa gestão das unidades. Há suspeitas de que é desviado 30 por cento do valor do orçamento anual da Força Aérea para gastos com alimentação. Agora, uns respondem agora por corrupção ativa, outros por corrupção passiva e falsificação de documentos. O esquema fraudulento terá lesado o Estado em cerca de 10 milhões de euros.

Além da casa mãe da Força Aérea, no Estado Maior, o CM sabe que as buscas, com cerca de 330 inspetores da PJ de 40 da PJ-M, que contam ainda com 27 magistrados do DIAP, estão a decorrer nas unidades de Figo Maduro, Lumiar e Monsanto (Lisboa), Alcochete, Sintra, Alverca, Beja, Ota e Monte Real.

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A investigação, com mais de um ano, teve origem numa denúncia da própria Força Aérea, sabe o CM, e contou com o apoio das altas chefias militares.

Os detidos serão presentes ao juiz no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa.

PJ realiza mais de 100 buscas

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A PJ está a realizar mais de 80 buscas domiciliárias e 25 não domiciliárias, sobretudo a equipamentos militares na Grande Lisboa, Beja e em Leiria, numa investigação às messes da Força Aérea, revelou a Procuradoria-Geral da República (PGR).

Segundo a PGR, já foram emitidos mandados de detenção e em causa estão factos suscetíveis de integrarem a prática de crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e falsificação de documento.

No inquérito investigam-se suspeitas de, pelo menos, desde o ano de 2015, algumas messes da Força Aérea serem abastecidas com géneros alimentícios, cujo valor a pagar, posteriormente, pelo Estado Maior da Força Aérea seria objeto de sobrefaturação.

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De acordo com a PGR, "tal sucederia por acordo entre militares que trabalham nas messes, fornecedores dos géneros alimentícios e um elemento do departamento do Estado Maior da Força Aérea com funções de fiscalização das referidas messes".

"Com a concordância destes intervenientes, os fornecedores de diversas empresas entregariam determinadas quantidades de alimentos, mas, o valor faturado no final de cada mês seria cerca de três vezes superior ao dos bens entregues na realidade. A diferença entre o valor faturado e o dos produtos efetivamente fornecidos seria dividida pelos elementos envolvidos", explica a PGR.

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