Ampliação do quartel nas prioridades do novo comandante dos Bombeiros do Corvo
Projeto "foi aceite por todos" e, em 2022, foi lançado o concurso global para a execução da empreitada, pelo valor global de 3,6 milhões de euros.
O novo comandante dos Bombeiros Voluntários do Corvo, João Machado, tem na ampliação das instalações do quartel e na formação duas das prioridades e como preocupação o aumento do número de visitantes à mais pequena ilha açoriana.
O comandante, de 49 anos, que em termos profissionais é agente de informação de tráfico de aeródromo, está a desempenhar funções desde janeiro e ocupa o cargo que anteriormente era desempenhado pelo atual presidente da Câmara Municipal, Marco Silva, eleito nas autárquicas de outubro de 2025.
Em declarações à agência Lusa, João Machado disse que aceitou o desafio pela vontade de "fazer um pouco mais" pelos 'soldados da paz' da ilha do Corvo e faz da ampliação do quartel uma das prioridades.
Segundo o responsável, o quartel está situado no edifício da aerogare da SATA Gestão de Aeródromos e foi elaborado um projeto em 2019 que contemplava a ampliação da aerogare e das instalações dos 'soldados da paz'.
O projeto "foi aceite por todos" e, em 2022, foi lançado o concurso global para a execução da empreitada, pelo valor global de 3,6 milhões de euros, mas "ficou deserto".
"Até hoje, não temos nenhuma informação sobre o que é que se passou, se vai ser alterado o projeto, se não vai ser alterado. Aliás, já ouvimos muitas versões e não conseguimos perceber qual delas é verdadeira", disse João Machado.
E concretizou: "A última versão que eu ouvi, e falando já com algumas pessoas responsáveis do Governo [Regional], é que, em princípio, vai-se lançar novamente o mesmo projeto, agora este ano, em 2026".
"Vamos esperar que sim. Era ouro sobre azul, era uma mais-valia para podermos ter um quartel que englobe camaratas e balneários masculinos e femininos, que este [o atual] não tem, e também que englobe as nossas garagens", disse.
O segundo objetivo do comandante dos voluntários da ilha do Corvo passa pela realização de um curso para formação de novos elementos, que poderá iniciar-se em maio, visto que o corpo de bombeiros tem atualmente cerca de uma dezena de operacionais.
Em relação a meios, adiantou à Lusa que a instituição também necessita de um novo autotanque de combate a incêndios e de uma nova ambulância de transporte de doentes para substituição dos veículos atuais.
No entanto, como o novo autotanque de combate a incêndios também deverá atuar na parte antiga da vila, caracterizada por ruas estreitas, foi acordado com o Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores (SRPCBA) adquirir uma viatura "adaptada à realidade da ilha".
Em relação a preocupações operacionais, o "principal foco" tem a ver com doentes e emergências médicas e o segundo está relacionado com o aumento do turismo.
"O que acontece aqui [na ilha do Corvo] no turismo, como tem acontecido noutras ilhas, [...] [é que] nós estamos a receber sensivelmente 50% da população a mais todos os dias, das visitas regulares que existem de [barcos] semirrígidos [que se deslocam] das Flores para o Corvo", adiantou João Machado.
Segundo o comandante, chegam à ilha - que tem pouco mais de 400 habitantes -, entre 150 a 200 pessoas diariamente e, destas, cerca de 30 a 40% "vão fazer o trilho do Caldeirão".
"O que acontece muitas vezes - já aconteceu duas vezes no último ano -, é as pessoas se magoarem nos trilhos, se magoarem lá em baixo [no interior da caldeira de colapso vulcânico, com 2,3 quilómetros de diâmetro e 320 metros de profundidade], e depois ser muito difícil trazer as pessoas cá para cima", acrescentou.
Devido a estas situações, a Câmara Municipal já tinha oferecido à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Ilha do Corvo uma moto quatro e uma viatura de desencarceramento e a corporação tenciona aumentar o número de voluntários com o curso de Tripulante de Ambulância de Socorro (TAS).
Em dezembro de 2025, a presidente da direção dos bombeiros do Corvo, Vera Câmara, também referiu à Lusa a necessidade da ampliação do quartel e da substituição do autotanque de combate a incêndios, que "já tem alguns furos".
A dirigente salientou ainda que a instituição pretendia promover este ano uma escola de formação para novos elementos, "mais de 20 anos" após a realização da última.
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