'Antoniozinho' condenado a 17 anos de prisão por tráfico de droga e associação criminosa

O narcotraficante António Lopes, de 47 anos, era aliado de 'Xuxas' e foi apanhado com a ajuda de dados do sistema SKY ECC

Atualizado a 27 de maio de 2026 às 17:39
António Tavares Lopes, mais conhecido como 'Antoniozinho', foi detido pela PJ em 2024 Foto: Direitos Reservados
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O narcotraficante conhecido como 'Antoniozinho' foi condenado a 17 anos de prisão pelos crimes de tráfico de estupefacientes agravado e associação criminosa. António Tavares Lopes, de 47 anos, tinha sido detido em junho de 2024, no âmbito de uma megaoperação da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes da Polícia Judiciária (UNCTE/PJ), na sequência de uma investigação que durou quase três anos (Operação “Summer House”).

O Tribunal Judicial da comarca de Lisboa deu como provado “que o arguido António Lopes Tavares, também conhecido como ‘Zinho’, liderava, pelo menos desde 2021, uma sofisticada rede de tráfico de estupefacientes de âmbito internacional, que era responsável pela introdução de grandes quantidades de estupefaciente, em especial cocaína, em Portugal/Europa”. A investigação da UNCTE/PJ, conduzida pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP),  revelou ainda que 'Antoniozinho' controlava a entrada da droga, proveniente da América do Sul, em território nacional, através do aeroporto de Lisboa e dos portos de Setúbal, Sines e Leixões; a mesma rede tinha ainda capacidade de transportar a mercadoria até França, Alemanha, Bélgica, e Reino Unido.

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O tribunal deu também como provado que 'Antoniozinho', para concretizar a sua atividade criminosa, "contava com a colaboração" de Rúben Oliveira, conhecido como "Xuxas" (condenado a 20 anos de prisão por tráfico de droga em novembro do ano passado) – e a quem tratava por "primo" – e do irmão deste, Dércio Oliveira (condenado a 13 anos no mesmo processo). Os contactos entre os elementos da rede de 'Zinho' eram feitos através do serviço telefónico encriptado SKY ECC, cujos dados, cedidos pelas autoridades francesas à investigação do DCIAP e da UNCTE/PJ, acabariam por ser essenciais para provar esta atividade criminosa – decisão muito contestada pela defesa.

'Antoniozinho' estava ainda acusado de ser o mandante de duas tentativas de homicídio de Samir Fernandes, um narcotraficante rival (que cumpre 19 anos e meios por tráfico de droga), mas o tribunal absolveu o arguido neste caso, por não dar estes crimes como provados.

Ao CM, o advogado de 'Antoniozinho', Correia de Almeida, lamentou a decisão do coletivo de juízes, alegando "várias nulidades" e prometendo recorrer da decisão. "Os juízes enganaram-se várias vezes, durante a leitura da sentença, a dizer o nome do arguido, trocando-o com o de outra pessoa [Rúben Oliveira], mais parecendo que a sentença era apenas um 'copy-past' de outro processo qualquer. Vamos recorrer desta decisão, naturalmente", afirmou. 

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