Apreendidas enguias juvenis vivas metidas em malas no aeroporto de Lisboa

Detidos quatro homens que se preparavam para levar os animais acondicionados em tanques para um país asiático.

08 de janeiro de 2019 às 12:53
Meixão Foto: Direitos Reservados
Meixão apreendido pela GNR Foto: GNR
GNR, Figueira da Foz, Mondego, Meixão, Enguias, Apreensão Foto: Paulo Novais/Lusa

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A PSP apreendeu 104 quilogramas de meixão vivo, enguia europeia na fase larvar e espécie protegida, que tinha como destino o mercado asiático e deteve quatro homens pela prática de crime contra a natureza, anunciou esta segunda-feira a polícia.

Em comunicado, o Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, em articulação com o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), adianta que as autoridades realizaram na segunda-feira, no aeroporto da capital, uma operação que levou à detenção dos quatro homens, com idades entre os 38 e os 50 anos.

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O valor aproximado da apreensão na fase de destino, ou seja, no recetor final asiático, está estimado em aproximadamente 700 mil euros, de acordo com o comunicado.

Segundo as autoridades, os detidos estavam a ser monitorizados e tentaram processar 12 bagagens no balcão de 'chek-in' de uma companhia aérea, para um voo que tinha como destino final um país asiático.

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A PSP intercetou os quatro homens e conduziu-os para as instalações policiais, onde verificou que o meixão estava acondicionado nas referidas malas de viagem, normais, que seriam transportadas por passageiros "que não são mais do que correios pagos para o efeito".

Em Portugal, a captura de meixão apenas é possível no rio Minho, estando sujeita a forte regulamentação pela legislação das pescas. A detenção e a comercialização subsequentes dependem ainda de certificado comunitário, emitido pelo ICNF.

Os arguidos disseram às autoridades que as enguias-bebé iam acondicionadas em água e protegidas com películas térmicas, de forma a permitir que a temperatura se mantivesse estável durante todo o percurso da viagem, já que é determinante que o meixão chegue vivo ao destino.

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O meixão, de acordo com informação técnica do ICNF, constitui uma das fases de desenvolvimento do complexo e longo ciclo de vida da enguia europeia, de nome científico 'Anguilla anguilla'.

De acordo com as autoridades, o meixão tem, sobretudo, dois aproveitamentos: o culinário, em pratos 'gourmet' (os restaurantes chegam a pagar 20 mil euros por quilo) e a criação de enguias, a partir destas enguias-bebé contrabandeadas.

"Os criadores pagam milhares de euros por quilo aos traficantes, mas usam-no para mais do que um negócio. O meixão é, ainda, libertado em arrozais, onde cresce e engorda comendo os parasitas daquelas culturas. Dessa forma, não só ajuda na produção de arroz, como acaba -- já em fase adulta -- por ser comercializado em toda a Ásia e até exportado de volta para a Europa", refere o comunicado da PSP.

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